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quarta-feira, 14 de julho de 2010

IGNORANCIA E ESTUPIDEZ...


O reverendo Martin Luther King Junior, missionário do bem na Terra, certa feita afirmou:
Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa.
Reflitamos sobre estas palavras fortes.

A acomodação na própria ignorância, ou mesmo a opção por ela, é terrível mal para o Espírito em evolução.
Querer permanecer na ignorância é afastar-se do caminho da felicidade.
Querer permanecer na caverna das sombras, fazendo alusão aqui à alegoria platônica, é perder a chance de conhecer o sol e toda sua luz benfazeja.
A ignorância não pode ser objetivo de ninguém na Terra.
Aparentemente, esta pode trazer algumas vantagens, conforme afirmam alguns desavisados, mas não, não há benefício algum em permanecer nela.
Da mesma forma, a estupidez conscienciosa é chaga doentia para o homem e para a mulher que desejam crescer moralmente.
Errar conscientemente é construir sua própria prisão moral de dor permanente.
Optar pelos caminhos da crueldade, do egoísmo e do orgulho, tendo a consciência de que são trilhas prejudiciais a todos, é condenar-se à dor voluntariamente.
E quantos de nós, já esclarecidos pelos tesouros de uma religião, ainda optamos pelo mal voluntariamente!
Cada vez que proferimos palavras grosseiras, cada vez que espezinhamos a vida alheia gratuitamente, com comentários infelizes, estamos agindo no mal conscientemente.
Quantos de nós, ditos cristãos, não somos capazes de tolerar nem pequenos deslizes?
Quantos de nós, tendo capacidade de praticar o bem, escolhemos o caminho da acomodação, da indiferença, mesmo sabendo que os tempos são chegados, que a hora é agora!
Sim, a estupidez conscienciosa é perigo constante. Perigo de ver a vida passar por nós, e perdermos mais uma chance, depois de tantas que já recebemos da Misericórdia Divina.
Muitos de nós que aqui estamos, somos reincidentes no mal, e recebemos a bênção de nova oportunidade para que, desta vez, aproveitemos a encarnação para crescer no amor.
Temos, nesta vida, a última chance de nos colocarmos nas sendas do bem, de uma vez por todas, sem mais delongas, sem mais espera, sem mais razões para permanecer no comportamento morno dos covardes.
Os sinais dos tempos estão aí.
A grande transformação da Humanidade já se opera dia após dia, sem cessar.
Ou seremos os de alma adormecida, que deixaremos passar tal oportunidade, ou seremos os engajados nas mudanças, na nova era de amor e entendimento.
Notemos que os grandes da Terra sempre optaram pelo amor, pela caridade, pelo perdão.

Qual será a sua opção?

A Humanidade tem realizado, até ao presente, incontestáveis progressos.
Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material.
Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral.
Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho.

Redação do Momento Espírita, com pensamento final do cap. XVIII, item 5 do livro A gênese, de Allan Kardec, ed. Feb.

terça-feira, 13 de julho de 2010

ROTEIRO INFALÍVEL PARA A FELICIDADE...


O ser humano nunca sentiu tanta necessidade de encontrar paz íntima, como nos dias atuais.
Na tentativa de suprir essa necessidade, as livrarias estão abarrotadas de livros de auto-ajuda.
Existe a procura, oferece-se o produto.
Embora seja nobre a intenção de muitos escritores, não se pode dizer que todos têm como objetivo oferecer ajuda a quem dela necessita.
O que boa parte desses autores visa é o lucro fácil, à custa das carências das criaturas.
No entanto, há um roteiro infalível para a felicidade à disposição de quem queira segui-lo.
Trata-se de um código, uma regra de proceder que abrange todas as circunstâncias da vida privada e da vida pública, o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça.
Mas, que roteiro infalível é esse, afinal?
Está ao alcance de todos?
Poderá ser entendido e seguido por toda gente?
Podemos afirmar que esse roteiro infalível está ao alcance de todos e pode ser entendido e seguido por todos.
Trata-se da boa nova, das boas notícias trazidas pelo mestre mais sábio que a terra conheceu.
Esse excelente código de ética e moral que abrange todas as circunstâncias da vida humana e traz os princípios básicos que podem nortear todas as relações sociais está fundamentado na mais pura justiça.
Esse compêndio de sabedoria é conhecido como o evangelho de Jesus.
Incontestavelmente é um roteiro infalível para se alcançar a felicidade.
Mas, se o evangelho está disponível há mais de dois milênios, por que e a felicidade ainda não é uma realidade na Terra?
O que ocorre é que toda a gente admira a moral cristã; todos lhe proclamam a sublimidade e a necessidade; muitos, porém, assim se pronunciam por fé, confiados no que ouviram dizer, ou baseados em certas máximas que se tornaram provérbios populares.
Poucos, no entanto, a conhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem e sabem deduzir suas conseqüências.
A causa disso está na dificuldade de entendimento que o evangelho apresenta para o maior número dos seus leitores.
A forma alegórica e o intencional misticismo da linguagem fazem que a maioria o leia por desencargo de consciência e por dever.
Todavia, não percebem os preceitos morais, disseminados aqui e ali, intercalados na massa das narrativas. Impossível, então, compreender o conjunto e tomá-lo para objeto de leitura e meditações especiais.
No entanto, aqueles que têm olhos de ver percebem que toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho.
Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade: bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem.

Amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros.

Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater.

E Jesus não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.

Eis aí o roteiro infalível. Mas só para quem deseja, sinceramente, investir na sua felicidade.

O próprio Cristo colocou a livre vontade como condição para alcançar esse objetivo, quando disse: "quem quiser vir após mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo, e siga-me."

Você sabia?

Você sabia que existe um livro intitulado o evangelho segundo o espiritismo?
Foi lançado em abril de 1864, em paris, por Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita e é o livro espírita mais vendido no Brasil.

Esse livro traz comentários dos Espíritos superiores sobre vários ensinos e parábolas de Jesus, de forma simples e de fácil entendimento.

Eis uma boa razão para travar conhecimento com esse roteiro infalível de felicidade, conhecido como evangelho de Jesus.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. XV, item 3 de O Evangelho segundo o Espiritismo.

AQUILO QUE DÁ NO CORAÇÃO...


Aquilo Que Dá No Coração
(Lenine)


Aquilo que dá no coração
E nos joga nessa sinuca
Que faz perder o ar e a razão
E arrepia o pêlo da nuca
Aquilo reage em cadeia
Incendeia o corpo inteiro
Faísca, risca, trisca, arrodeia
Dispara o rito certeiro

Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar

Aquilo bate, ilumina
Invade a retina
Retém no olhar
O lance que laça na hora
Aqui e agora,
Futuro não há
Aquilo se pega de jeito
Te dá um sacode
Pra lá de além
O mundo muda, estremece
O caos acontece
Não poupa ninguém

Avassalador...

Avassalador
Chega sem avisar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Aquilo que dá no coração
Que faz perder o ar e a razão
Aquilo reage em cadeia
Incendeia

ORAÇÃO É TUDO DE BOM...


Oração não é uma válvula de escape, nem roteiro de fuga dos problemas, nem repositório de mágoas ou queixas.
Oração é um tempo para a reflexão consciente, uma volta ao interior ligação com o Criador, de maneira inteligente.
Oração é o breque perfeito para as ações impensadas, é uma ponte que liga o cérebro agitado, com a serenidade das energias do bem, com a sensação de paz que tanto ansiamos, que não podemos viver sem.
Una a oração com um período de jejum, que pode ser de alimentos ou de palavras, e temos uma combinação perfeita, uma simbiose entre o racional e o emocional, que se entrelaçam para prover a sua estabilidade, é um momento único que beira a plenitude da felicidade.
Por isso, não se atenha aos problemas, fixe-se nas soluções, nas possibilidades.
Todo mundo carrega em si, dons especiais, uma maneira de fazer diferente o que o mundo faz igual.
Pode ser uma simples varrição de ruas, um artesanato, uma costura, uma invenção, um bolo confeitado, ou um delicioso pão.
Em você, Deus deposita sementes preciosas, e espera pacientemente, que elas venham florir, e assim, um dia, quem olhar para você, sinta também o desejo de sorrir, pois verá no seu semblante sereno que diz, que há um Deus que nos ama, e convida a ser feliz.
Oração é a junção das palavras “orar + ação“, por isso, nunca pare de lutar, não fique só no esperar.
É tempo de um novo tempo, é tempo de recomeçar.

Paulo Roberto Gaefke

segunda-feira, 12 de julho de 2010

OM MANI PADME HUM...


Om mani padme hum

Um dos mantras mais famosos do Budismo, leva a uma reflexão que qualquer ser humano pode e deve fazer.

Om, fecha a porta do sofrimento que vem do orgulho, orgulho que tem cegado os homens de todas as raças e religiões.

Ma fecha as portas do sofrimento que é gerado pela inveja.
A inveja é a cegueira do espírito tolo, infantil e iludido.

Pad fecha a porta dos sofrimentos humanos, das doenças, da velhice, da insanidade que nasce dos "desejos".
Pessoas controladas por desejos fazem loucuras.

Me fecha a porta do sentimento da ganância.
O própŕio planeta sofre com esse sentimento que destrói, que coloca o lucro acima da vida.

Hum fecha a porta do sofrimento do inferno, que é o sentimento da raiva e do ódio.
O homem coloca o inferno dentro de si mesmo quando odeia o seu próximo. Quando a cólera, a raiva toma conta das suas ações, só desgraças serão atraídas.

Om mani padme hum.
Para libertar o seu espírito dos desejos mundanos, da raiva, da ganância, do orgulho, dos desejos desenfreados da vida comercial que a sociedade tenta impor. Para a sociedade o recado é só um: consuma, consuma e seja consumido.

Para Deus é: "liberte-se, despoje-se, siga-me" e viva a eternidade da paz, das bençãos, da água que sacia para sempre, da leveza de se ter a "alma leve", livre dos conceitos humanos de felicidade.

Para os conceitos humanos de felicidade, quanto mais você tem no banco, mais é feliz, o que sabemos que não é verdade. O acúmulo de bens materiais é um fardo que por vezes é tão pesado como o pŕoprio mundo.

Para os conceitos divinos, o acúmulo de bens "espirituais" é o maior tesouro que um homem pode ter. Caridade, despojamento, amor sem medidas, humildade, serenidade, esses sim, são tesouros que o tempo não corróem, não passam, são eternos, como você.
Afinal, o que você tem alimentado na sua alma?

Om Mani Padme Hum.
Para que você reflita nas futilidades da vida, deixe de preocupar tanto com o que nada vai acrescentar na sua vida, e preocupe-se um pouco mais com o que é verdadeiramente importante: você e a eternidade.

PS:
Om Mani Pade Hum é o mantra do "bodhisattva da compaixão": Avalokiteshvara Kwan Yin.
Os tibetamos entoam-no como: OM MANI PEME HUNG.
Recitar o Mantra Om Mani Padme Hum traz:

OM – Dissolve o orgulho
MA – Liberta do ciúme e da luxuria.
NI – Consome a paixão e os desejos
PAD – Elimina a estupidez e danos.
ME – Liberta da pobreza e possessividade.
HUM – Consome a agressão e o ódio.

Paulo Roberto Gaefke

CAVALINHO...


Certa tarde, um homem saiu para um passeio com as duas filhas, uma de oito e outra de quatro anos. Em determinado momento da caminhada, Helena, a mais nova, pediu ao pai que a carregasse, pois estava muito cansada para continuar andando.

O pai respondeu que também estava muito cansado. Diante da resposta, a garotinha começou a choramingar e fazer "corpo mole".

Sem dizer uma só palavra, o pai cortou um pequeno galho de árvore e o entregou a Helena, dizendo:

- Olhe aqui um cavalinho para você montar, filha! Ele irá ajudá-la a seguir em frente.

A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o galho verde tão rápido, que chegou em casa antes dos outros. Ficou tão encantada com seu cavalo de pau, que foi difícil fazê-la parar de galopar.

A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e perguntou ao pai sobre como devia entender a atitude de Helena. O pai sorriu e respondeu:

- Assim é a vida, minha filha. Às vezes, estamos física e mentalmente cansados, certos de que é impossível continuar. Mas encontramos então um "cavalinho" qualquer que nos dá ânimo outra vez. Esse cavalinho pode ser um bom livro, um amigo, uma canção...

Assim, quando você se sentir cansado ou desanimado, nunca se deixe levar pela preguiça ou o desânimo.

Lembre-se: sempre haverá um "cavalinho" para cada momento.

MOSTRANDO UMA NOVA APARÊNCIA...


“Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus” Mateus 5:44, 45.

De acordo com a Agência de Notícias Associated Press, em setembro de 1994, Cindy Hartman, de Conway, Arkansas, entrou em sua casa para atender o telefone e se viu diante de um assaltante. Ao vê-la, o homem cortou o fio do telefone e mandou que ela entrasse em um armário. Hartman colocou-se de joelhos e perguntou ao assaltante se podia, antes de entrar no armário, orar por ele. “Eu quero que você saiba que Deus ama você e que eu o perdôo você pelo que está fazendo”.O assaltante, espantado, pediu desculpas pelo que havia feito e, chegando à porta da casa, gritou para uma mulher que estava em um caminhão: “Nós precisamos descarregar e colocar tudo de volta no lugar. Esta é uma casa onde vive uma família cristã. Não podemos fazer isso com eles”.Enquanto Hartman permanecia de joelhos, o assaltante devolveu toda a mobília à casa. Logo depois, tirou todas as balas de sua arma, entregou-a a Hartman e foi embora. A oração pelos nossos inimigos produz um resultado incrivelmente apaziguador. (Scott Harrison)

Qual tem sido a nossa atitude em relação aos que nos atacam, que nos tratam mal, que têm prazer em nos prejudicar?

Agimos com eles da mesma forma, retribuindo mal com mal, pagando com a mesma moeda?

E que diferença há entre nós, cristãos, filhos do Deus Todo Poderoso e eles, que não O conhecem, que não o louvam, que não experimentaram Seu grande amor?

Quando dizemos que o Senhor entrou em nossos corações e transformou as nossas vidas, isso significa que todo o mal que havia em nós foi removido, que agora não há mais lugar para ódio e nem vingança.

Antes éramos iguais aos que não temem ao Senhor, mas agora isso acabou.

Deus operou grande transformação e precisamos mostrar nossa nova aparência um brilho especial que só Cristo pode dar.

Paulo Barbosa

domingo, 11 de julho de 2010

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO...


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus!
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor!
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

MEMÓRIA...


Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o *olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão.


Carlos Drummond de Andrade


*olvido [Dev. de olvidar.] Substantivo masculino.
1.Ato ou efeito de olvidar(-se); esquecimento. [Sin., p. us.: olvidamento.]
2.Poét. Adormecimento, descanso, repouso.

CERTAS HORAS...


Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...

Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...

Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...

Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável...

Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:

Acho que você está errado, mas estou do seu lado... Ou alguém que apenas diga: Sou seu amigo! E estou Aqui!

William shakespeare

VOCÊ PRECISA...


"Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer" (Gandhi)

Você precisa ter sonhos,
Para que possa se levantar Todas as vezes que cair.
Acreditar, que a toda hora,
Acontecerá coisas boas e mudará o rumo da sua vida.
Você precisa ter sonhos grandes e pequenos.
Os pequenos, são as felicidades mais rápidas,
os grandes, lhe darão força para suportar a espera dos sonhos pequenos.
Você tem que regar os teus sonhos todos os dias, assim como se rega uma planta, para que cresça...
Você precisa dizer sempre, a você mesmo: Vou conseguir!
Vou superar! Vou chegar no meu sonho!
Fazendo isso, você estará cultivando sua luz,
A luz de sempre ter esperanças,
Que nunca poderá se apagar,
Pois ela é a imagem que você pode passar para as outras pessoas,
E é através dessa luz que todos vão lhe admirar,
Acreditar em você e te seguir. Mire na lua,
Pois se você não puder atingi-la, Com certeza, irá conhecer grandes estrelas...

RATOEIRA...

"Pense como uma pessoa de ação e aja como uma pessoa que pensa." Henri Louis Bérgson

Um rato olhando pelo buraco na parede vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote e pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos – Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa! A galinha, disse:

- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me incomoda.

O rato foi até o porco e lhe disse:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!

- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranquilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.

O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse:

- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.

Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia caído na ratoeira. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia prendido a cauda de uma cobra venenosa e a cobra picou a mulher. O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha.

O fazendeiro pegou seu cutelo (pequeno facão) e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.

"O problema de um é problema de todos quando convivemos em equipe".

sábado, 10 de julho de 2010

RIR E VENCER É SÓ COMEÇAR...


É de dia, é de noite, a vida sem alegria é uma triste rotina.
Ataca a alma, adoece o fígado, constipa, resseca...
Pobre de quem vê tudo cinza.
A vida vira um fardo enorme, tudo pesa.
Pior é quando a pessoa já não aceita ajuda, já não procura solução, pois acredita que este é o seu fim.
Tem gente que se acostuma tanto com a dor, que quando se vê sorrindo, por engano, chora de raiva, de agonia, pois está se traindo.

Ah! Meu Deus, que doença é essa?
Que força desenvolvemos para ficar assim?
Dizem os Budistas, que é tudo a mesma energia; o ódio usa a energia do amor, o medo, a energia da coragem, a tristeza, a energia da alegria.
Por isso, tudo pode ser revertido, é como andar de bicicleta, primeiro colocamos rodinhas, depois de alguns metros e alguns tombos, vamos ganhando confiança, e pronto! Lá vamos nós para nossos quilômetros.

Ah! e você sabe; quem aprende andar de bicicleta nunca esquece!
Assim é com a alegria: quem aprende a sorrir, quem aprende a ultrapassar as barreiras que a vida sempre traz, adquire uma força que não se aprende nos livros, nem nas escolas, é da vida, é do "andar de rodinhas", é do querer.

Vai, faz um esforço, dá um sorriso...
assim, meio amarelado mesmo, ninguém tá vendo.
Deixa vir o riso, lembra de um mico que você pagou, aquele que te dava tanta vergonha, hoje é para rir com ele...
Ria até doer a barriga, como a gente fazia quando era criança.

Tem coisa mais contagiante e gostosa que risada de criança?
Seja então, a criança do dia, hoje e sempre, eternamente, que assim seja, amém!

Paulo Roberto Gaefke

sexta-feira, 9 de julho de 2010

TEMPO DO NOVO TEMPO...


É tempo de um novo tempo, se você se desapontou com as pessoas, se falharam com você, se descobriu a traição, se encontrou portas fechadas, se restaram apenas lágrimas, é o seu tempo.

Tempo de amar quem não entendeu, quem fez tudo errado, quem te magoou.
Eis a resposta do novo tempo: "amai tudo e todos, sobre todas as coisas."
Descobre o amor e se farta nele, como o faminto que vê o banquete, como o sedento que descobre a fonte pura.

É tempo de perdoar, tempo de não encontrar culpados, mas de encontrar-se!
Renovar o compromisso com a espiritualidade, abrir mão de qualquer bem, deixar a capa, oferecer a outra face, pois já não importa, se desconfiam ou se duvidam, o que importa, é o novo tempo, tempo de viver a sua fé.

Felizes os que encontram a paz, o conforto da palavra que vivifica, levanta e faz tocar o céu.

"O SENHOR te abençoe e te guarde; O SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz."
Números 6-24 em diante


Paulo Roberto Gaefke

HÁ MOMENTOS...


Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

ALMA GÊMEA...


"Sempre existirá no mundo uma pessoa que espera a outra, seja no meio de um deserto, seja no meio das grandes cidades. E quando estas pessoas se cruzam, e seus olhos se encontram, todo o passado e todo o futuro perde qualquer importância, e só existe aquele momento, e aquela certeza incrível de que todas as coisas debaixo do sol foram escritas pela mesma Mão. A Mão que desperta o Amor, e que fez uma alma gêmea para cada pessoa que trabalha, descansa e busca tesouros debaixo do sol. Porque sem isto não haveria qualquer sentido para os sonhos da raça humana."

Paulo coelho

INOCÊNCIA...


Uma menininha, diariamente, vai e volta andando para a sua escola.
Apesar do mau tempo daquela manhã e de nuvens estarem se formando,ela fez seu caminho diário para a escola.
Com o passar do tempo, os ventos aumentaram e junto os raios e trovões.
A mãe pensou que sua filhinha poderia ter muito medo no caminho de volta pois ela mesma estava assustada com os raios e trovões.
Preocupada, a mãe rapidamente entrou em seu carro e dirigiu pelo caminho em direção à escola.
Logo ela avistou sua filhinha andando, mas, a cada relâmpago, a criança parava, olhava para cima e Sorria.
Outro e outro trovão e, após cada um, ela parava, olhava para cima e Sorria!

Finalmente, a menininha entrou no carro e a mãe curiosa foi logo perguntando:
- O que você estava fazendo?
A garotinha respondeu:
- Sorrindo! Deus não pára de tirar fotos minhas!!

"Deixemos que toda inocência floresça em nossos corações para podermos ver a bela e real felicidade que está nos momentos de simplicidade"...

ESCOLHAS...


Inúmeras situações no mundo resultam das escolhas que fazemos.

Haverá momentos em que te sentirás impelido ao revide. Entretanto, poderás escolher a concórdia.

Não faltarão instantes em que o desânimo tentará te envolver. Todavia, poderás optar pela perseverança.

É possível, ainda, que as sombras te convidem para o futuro incerto. Porém, serás livre para seguir a luz.

Pensa nisso e, da próxima vez em que a vida te colocar em situações difíceis, lembra-te de que felicidade ou aflição resultará da escolha que você fizer.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

VIVER COMO AS FLORES...


O discípulo, a seu mestre espiritual:

- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.
- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.
- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.
- Repare nestas flores - continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim - Elas nascem no esterco. Entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.

E o mestre conclui seu pensamento:

- É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora. Isso é viver como as flores.

OS VÍRUS...


Nunca se falou e se conviveu tanto com vírus como agora.
Na informática, vírus maliciosos roubam senhas de banco, furtam dados preciosos e até segredos de empresas.
Outros, são criados apenas para o mal, para corromper dados, estragar a alegria de muitos, frutos de cérebros frustrados.
Já existem até vírus para celulares!

Na saúde, os vírus estão cada vez mais "resistentes", e a cada temporada, surge uma nova forma "letal", como a gripe aviária, o vírus da gripe suina, (variações da Influenza (H5N1) o HIV (SIDA), a herpes, e tantos outros, que avançam apesar de todos os antibióticos, apesar de todas as formas de prevenção, e de esquemas milionários de vacinação.
Basta um espirro no meio do povo e...

Mas, há um vírus se alastrando pela sociedade, que parece ser muito mais letal e contagioso, que age de maneira furtiva e silencioso, atingindo a todos, sem fazer distinção de sexo, raça, credo, ou mesmo, nível cultural.
Pega no lavrador e ataca o doutor.
É o vírus do "desânimo, variação do vírus da decepção, que tem roubado sonhos e vidas, pois se instala na alma e no coração.
Por isso, se você anda se sentindo triste, com um desânimo sem motivo aparente, se a decepção frustrou seus planos, se os sonhos perderam a cor, eis o momento de parar com o vírus.

Feche os olhos e coloque a sua mão sobre o peito, na altura do coração...
Respire fundo, deixe-se envolver pela paz, sinta-se seguro, firme, forte...
Diga com segurança:
- Deus, meu Pai Amado, me dê um novo sonho, um novo coração, um novo sentido.
Brote em mim o desejo de ser melhor a cada dia.
Dai-me o antibiótico do amor, em doses generosas...

E assim, terei força para amparar quem mais precisa, servir sem esperar nada em troca.
Amar até quando eu for desprezado, ser verdadeiro diante da maior mentira, ser justo, diante da maior injustiça.

Dai-me um novo coração, livre do vírus do desânimo, cheio do Espírito Santo, que me conforta, me enche de encanto, acalma como jardins floridos, com a certeza de que ainda nesta noite, meus sonhos serão coloridos.
Deus dá de graça a vacina do amor, Pode tomar, não tem contra indicação, cura a alma e fortalece o coração.

Paulo Roberto Gaefke

terça-feira, 6 de julho de 2010

SERVIÇO DESINTERESSADO...


Foi durante um período de férias. Carlos havia se dirigido a um acampamento isolado, com a família. Quando se deu conta, o carro estava enguiçado. Tentou dar a partida e nada. Caminhou para fora do acampamento, muito nervoso. Pelo caminho ía descarregando a sua raiva com palavras grosseiras, que foram abafadas pelo cantar das águas do riacho próximo.

O problema era bateria descarregada e Carlos resolveu ir até a vila a pé. Eram alguns quilômetros de caminhada.

Duas horas depois, com um tornozelo torcido, ele chegou a um posto de gasolina.

Como era domingo de manhã, o lugar estava fechado. Mas havia um telefone público e uma lista telefônica quase se desmanchado. Ele telefonou para a única companhia de auto-socorro da cidade vizinha, que ficava a uns 30 km de distância.

Um tal de Zé atendeu e o acalmou. Ele deveria chegar ao posto de gasolina, mais ou menos em meia hora.

Enquanto esperava o socorro chegar, Carlos ficou a imaginar quanto aquilo tudo lhe deveria custar. Finalmente, um reluzente caminhão-guincho chegou e eles foram para a área do acampamento.

Quando o Zé saiu do caminhão, Carlos o observou e ficou espantado. Zé tinha aparelhos na perna e andava com ajuda de muletas. Ele era paraplégico.

Enquanto se movimentava, Carlos ainda pensou qual seria o preço de tamanha boa vontade.

Mas Zé era um sujeito animado. Enquanto foi providenciando a carga elétrica para a bateria, distraiu o filhinho de Carlos com uns truques de mágica.

Tudo pronto. Carro funcionando, Carlos perguntou quanto devia.

Nada, respondeu Zé.

- Não é possível, falou Carlos. Hoje é domingo, tirei você de seu descanso, você rodou tantos quilômetros, resolveu meu problema. Preciso lhe pagar.

- Não mesmo, disse o Zé. Há alguns anos, alguém me ajudou a sair de uma situação pior do que esta, quando perdi as minhas pernas. E tudo o que o sujeito que me auxiliou disse, ao final foi: passe isso adiante. Você não me deve nada. Apenas se lembre de passar isso adiante, quando tiver uma oportunidade.

- E então, hoje, tive a oportunidade de lhe ajudar. Foi ótimo. Vá para sua casa, com sua família e quando puder, ajude alguém, porque precisamos sempre uns dos outros.

Nunca deixe de ajudar a quem quer que seja.
Para isso você não precisa de dinheiro, posição social relevante ou poder.
Pode ajudar pela palavra gentil que gera estímulos preciosos.
Pode ajudar auxiliando seu vizinho com as crianças, enquanto a mãe delas se encontra em recuperação, no hospital.
Pode ajudar encaminhando alguém a uma instituição própria para socorro devido, se não puder socorrer você mesmo.
Pode, enfim, se tornar, onde se encontre, um microfone fiel a serviço do bem, auxiliando os caídos a se erguerem, os adormecidos a despertarem, os errados a se corrigirem e os agressivos a se acalmarem.
Assim agindo, descobrirá que a sua vida possui um grande significado e que a sua tarefa principal é servir e servir sempre.


Fonte: Vida Feliz - cap. CLXXXVIII; História recebida pela internet, sem menção a autor

A TRANQUILIDADE DAS OVELHAS...


"Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia," Salmos 91:5

A noite estava escura, céu sem estrelas.
De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe, misturado com o barulho do vento.
As crianças reunidas na tenda do Mestre Benjamin estavam com medo.
Mestre Benjamim sentiu o medo nos seus olhos.
Foi então que uma delas perguntou:

- Mestre Benjamim, há um jeito de não ter medo? Medo é tão ruim!
Mestre Benjamim respondeu:
- Há sim... E ficou quieto.
Veio então a outra pergunta:
- E qual é esse jeito?
- É muito fácil. É só pensar como as ovelhas pensam...
- Mas como é que vou saber o que as ovelhas estão pensando?
Mestre Benjamim respondeu:
- Quando durante a noite, as ovelhas estão deitadas na pastagem, os lobos estão à espreita. E eles uivam. As ovelhas têm medo. Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a música mansa de uma flauta. É o pastor que cuida delas e não dorme nunca. Ouvindo a música da flauta elas pensam:

Há um pastor que me protege.
Ele me leva aos lugares de grama verde
E sabe onde estão as fontes de águas límpidas.
Uma brisa fresca refresca a minha alma.
Durante o dia ele me pega no colo e me conduz por trilhas amenas.
Mesmo quando tenho de passar pelo vale escuro da morte eu não tenho medo.
A sua mão e o seu cajado me tranqüilizam.
Enquanto os lobos uivam, ele me dá o que comer.
Passa óleo perfumado na minha cabeça para curar minhas feridas.
E me dá água fresca para sarar o meu cansaço.
Com ele não terei medo, eternamente...
(Salmo 23, paráfrase)


Mestre Benjamim parou de falar.
Os olhos de todas as crianças estavam nele.
Foi então que uma delas levantou a mão e perguntou:
- E os lobos? Eles vão embora? Eles morrem?
- Os lobos continuam a uivar. E continuam a ser perigosos. O pastor não consegue espantar todos eles. E por vezes eles atacam e matam. Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo, mas a despeito do perigo. Não há jeito de acabar com o perigo. Mas há um jeito de acabar com o medo.
Coragem é isso: dormir sem medo a despeito do perigo...
As crianças voltaram para suas tendas e dormiram sem medo, pensando nos pensamentos das ovelhas.
De vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto.
Desde então, tornou-se costume contar ovelhinhas para dormir.

Do livro de Rubem Alves: “Perguntaram-me se acredito em Deus”.

EU ORO...


Eu oro Pai, neste momento, para que o Senhor, com a força do espírito Santo, venha tocar, neste irmão, nesta irmã, que está triste, e que de tão amargurado, não se aceita, e por não se aceitar, não consegue se amar, e já não se cuida mais, por sentir-se só e desamparado...

Pai querido, toca na alma ferida, no trauma mais profundo naquele lugar que só o Senhor sabe onde dói mais, remove essa "casca" que recobre a ferida mais dolorosa, e seca de vez essa marca que ainda sangra.

Toca Pai, toca no coração ressecado, angustiado, de quem já não acredita mais em si mesmo.
Que perdeu as forças de tanto chorar, que foi abandonado(a) sem motivos, que foi vítima de injustiça, que não sabe a quem recorrer.

Tu Senhor, é juiz soberano, julga essa causa então, devolve a esse irmão, a essa irmã, a alegria,
a esperança, o ressurgir do desejo de cuidar-se.
A capacidade de admirar-se e perceber, que dentro de cada um de nós, brilha uma chama maior que qualquer dor, a chama da tua mão, a chama da criação, a chama do amor.

Então, eu oro agora, pelos que querem te encontrar, pelos que te buscam e não acham, pelos que tateiam no escuro da mágoa, os que vagam de hospital em hospital, sem achar a doença que os consome, inunda-os agora com o Teu Santo remédio, o teu poderoso amor.

Assim, saia curado nesta noite, todo aquele, que mesmo não vendo, perceba, que mesmo não se achando merecedor, sinta, que a Tua maior grandeza está em reconhecer, em cada um de nós, mesmo os maiores devedores, uma chama única, um brilho, que somos amados como o único filho.

Eu oro então, para que agora, o elo seja refeito, a ligação restabelecida, e em cada um, brilhe a tua luz, refletindo na face, o doce sorriso do amado Jesus.

Paulo Roberto Gaefke

HISTÓRIA DE UMA VIDA...


Tudo começou quando um dia, em minha mãe, num local bem protegido chamado trompa, dois elementos se encontraram: um de minha mãe, o óvulo, e outro de meu pai, o espermatozóide. Como dois apaixonados se aproximaram e se abraçaram tornando-se uma pequenina gota d´água.

Esse foi o dia mais feliz de minha existência. Recomeçava para mim a oportunidade do retorno à carne, depois de passar um largo tempo no mundo espiritual.

Deram-me o nome de ovo. Eu era muito pequenino, muito menor do que um grão de areia. Iniciei, então, uma longa viagem. Empurrado para diante por algo semelhante a cílios, que desenvolviam movimentos delicados como os do mar quando beija docemente a praia, indo e vindo, cheguei enfim a um lugar chamado útero.

Era um lugar macio, quentinho e logo notei não correr perigo. Sem muito esperar, fui me aninhando, agarrando-me firmemente em uma das paredes. Já contava com três dias de vida.

Aos poucos fui me cobrindo com uma membrana daquela mesma parede. Aos nove dias de vida, minha forma era a de um disco e tinha meio milímetro de diâmetro. Fui crescendo e aos doze dias de vida já tinha o dobro do tamanho: um milímetro.

Recebi o nome de embrião. Comodamente instalado, fui formando uma almofada que se chamava placenta, para que melhor me pudesse alimentar, retirando do organismo de minha mãe tudo o que precisava.

Já estava com quase um mês. A expectativa de minha existência era muito grande. A ansiedade de minha mãe se transformou em pura alegria quando os testes deram positivo. Agora era meu pai a querer saber se eu seria menino ou menina, louro ou morena, de olhos castanhos ou azuis.

Quando ele perguntou: Como será ele? Fui logo respondendo: Tenho forma da letra c, e pareço com um cavalo-marinho. Tenho um centímetro de tamanho.

Não sei se me ouviram, mas o que sei é que redobraram cuidados e recomendações.

Aos dois meses, meu corpinho estava mais reto, minha boca mais formada, meu nariz começava a aparecer, meus olhos estavam mais desenvolvidos. Meu tamanho? Quatro centímetros. Meu peso? Cinco gramas.

Aos três meses já tinha forma de gente... E o tempo foi passando.

Emoção mesmo foi no dia em que mamãe pôde ouvir o meu coraçãozinho bater. Sentia como se fosse uma mensagem para ela. E era mesmo. Era meu agradecimento por tudo o que ela fazia e pensava por mim.

Ela esperava, papai aguardava e eu também. Como seria o nosso reencontro?

Seis, sete, nove meses. O médico marcou o dia de minha chegada. O meu enxovalzinho estava pronto e meu bercinho me aguardando. Última semana de espera.

Hoje me apresentei para toda a família. Que alegria! Meu primeiro dia de vida, nos braços de minha mãe.

Os filhos que nos chegam pelas vias da reencarnação são, quase sempre, Espíritos amigos com os quais já vivemos em outras eras.
Chegam-nos, batendo à porta do coração, a solicitar entrada e quando lhes permitimos o ingresso no seio da família, se enchem de felicidade.
Podem ser comparados a aves pequenas que retornam ao ninho, após exaustivas andanças por outras terras, à procura de carinho, ternura e abrigo.
Fiquemos atentos e jamais fechemos as portas do nosso amor a esses pássaros implumes que nos buscam desejando oportunidade para retornar à vida física.


Redação do Momento Espírita, com base em texto da Apostila do Grupo de Gestantes da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, 1995. Disponível no livro Momento Espírita, v. 1, ed. Fep.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

VOCAÇÃO...


"Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis." II Pedro 1:10

Muitas vezes queremos estar num lugar diferente daquele em que estamos ou até ser alguém diferente do que somos.

Temos a tendência de constantemente nos comparar aos outros e nos perguntar por que não somos tão ricos, inteligentes, simples, generosos, conhecidos ou santos quanto eles.

Tais comparações nos fazem sentir culpados, envergonhados ou enciumados.

É muito importante perceber que nossa vocação se encontra escondida onde estamos e no que somos.

Somos seres humanos únicos, cada um com um chamado para, em vida, perceber aquilo que mais ninguém pode, e percebê-lo num contexto concreto do aqui e agora.

Não encontramos nossas vocações tentando descobrir se somos melhores ou piores que os outros.

Somos suficientemente bons para realizar aquilo para que fomos chamados.

Seja você mesmo!

No nosso trabalho somos reconhecidos por aquilo que somos e fazemos e chegando ao fim do mês, vem a recompensa o salário.

Gostaria de alertá-lo para algo que contamina o cristianismo e a sua consequência, é a religiosidade. Ser, ter e fazer.

Se você é reconhecido pelo que você tem (material), tenha discernimento
Se você é reconhecido pelo que você faz (muitas coisas ao mesmo tempo) cuidado com o ativismo (ore).
Se você é reconhecido pelo que você é Gloria a Deus! pois você está sendo verdadeiro.
Não perca a autenticidade que Deus lhe deu seja seu sim SIM e seu não NÃO.
Que o Espírito Santo nos ajude a sermos autênticos em amor, sem ferir ninguém e agradar ninguém por interesse.

Reynaldo Galeskas

DAQUELE TEMPO...


É daquele tempo, em que você sorria mais que eu quero falar.
Das lembranças que não querem calar.
dos sonhos que de tão infantis, eram fáceis de realizar.

Quero falar de um tempo, em que o próprio tempo, não tinha tanto peso, ele não passava simplesmente, ele era preenchido...

Cada dia era esperado, desejado, cheio de novidades, ainda que as mesmas...
as mesmas pessoas amigas, as mesmas brincadeiras, e até as brigas, eram as mesmas, por isso mesmo eram tão simples de serem resolvidas.

Quando foi que você deixou de ser feliz?
Quando foi que a amargura entrou no seu coração e fechou portas?
Quando foi a primeira vez que você não teve vontande de sair?
Quando foi que você deixou de se olhar no espelho e se admirar?
Quando foi que o amor te fez mal?
Que alguém te magoou e você se deixou magoar?

É o mesmo tempo que te espera!
O tempo onde tudo pode ser mais simples.
Liberte-se do que te oprime.
se tem o que perdoar perdoe, mas perdoe esquecendo seja la o que for.

A vida é uma estrada comprida...
Não dá para seguir viagem carregando fardos inúteis.
E o rancor, as desilusões, o que era para ter sido e não foi, pesam demais, para qualquer pessoa.

Liberte-se!
É tempo de seguir viagem, é o tempo de ser feliz.

Sorria!
O dia está nascendo mais uma vez, e é todinho seu, se você acreditar, se não duvidar, e se deixar amar.
O dia é todo seu.
Sorria!

Paulo Roberto Gaefke

sábado, 3 de julho de 2010

VÁ EMBORA...


Vai embora
Esqueça abraços, beijos, desejos, abandono, o calor.
Esqueça sussurros, roçar da pele a quentura do amor.
Esqueça o banho o chuveiro, a gota que o corpo banha mãos que deslizam, o corpo acorda de prazer. Esqueça a língua molhada passeia atrevida toca você.
Esqueça as pernas dobradas encaixadas, na forma do amor.
O perfume que brota da cama em desalinho como um gemido de dor.
Se esforce no longo caminho ao refazer esse ninho que um dia deitei.
Vai lembrar no primeiro abraço a triste realidade essa não sou eu.

Neuza Maria

sexta-feira, 2 de julho de 2010

QUANDO FALAR DE AMOR...


E quando falar de amor, não use qualquer palavra, aliás, se você puder deixar os olhos falarem, mais certeira será a sua declaração, mais sincera e inesquecível, e menos previsível...

Os olhos ligam o cérebro ao coração, tocam a pele, despertam desejos, nos remetem à ação, silenciam palavras inúteis, e gestos fúteis.
Pra que falar, se a boca pode beijar?
Para que diálogo, se as mãos se falam?
Tato, trato, fato, sensato, estático, o amor é uma poesia não declamada, um silêncio tão enfático.

É uma oração em "libras", uma necessidade da alma, um encantamento que não cessa, fogo que não queima, furor sem pressa...

Hoje é dia de falar de amor.
Melhor, dia de amar muito.
E para não perder essa oportunidade, dedique-se para alguém, declare-se, liberte-se, ame-se.

E releia todos os dias esta mesma mensagem, pois todos os dias são dias de amor, num eterno ciclo de ir e vir, ser e estar, conhecer e namorar,
pouco falar, muito ouvir.
Sem água não vive a flor, e você, vive sem amor?

Paulo Roberto Gaefke

quinta-feira, 1 de julho de 2010

MUDANÇA AO REDOR...


“Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados. Que, passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques.” Salmos 84:5-6

Eu tenho o privilégio de conhecer muita gente boa, legal, agradável, positiva, otimista. Pessoas que alegram minha vida e dos demais ao seu redor.

Mas infelizmente existem pessoas que parece que foram ungidas com óleo de urubu. Tudo é ruim, feio, deprimente, tudo vai mal, tudo vai piorar.

Este salmo elogia e abençoa aquele que faz do vale árido um manancial. É destes que eu quero ser, não dos contrários.

Não podemos nos furtar de tentar entender o que significa isso.

Eu gosto sempre de pensar em aridez e deserto como algo que está estragado. Não necessariamente algo morto, mas algo que está sem vida naquele momento, desprovido de nutrientes e de água. Mas algo que pode ser fertilizado e irrigado para produzir vida e vida em abundância. Seja no sentido literal ou espiritual, todo deserto é acima de tudo um desafio a ser vencido para aperfeiçoamento ou morte.

Se olhar para o vale árido como um monte de areia seca, dali não sairá nada mais do que pó.

Assim são as almas de tantos que se perdem, os empregos de alguns, os relacionamentos familiares de tantos, as esperanças de outros tantos.

Seja bem-aventurado (abençoado) transformando os secos em mananciais. Olhe para estas vidas de alma arenosa e sem vida, e faço disso um manancial. Semeie para que ali brotem águas intermináveis e abundantes.

Olhe para relacionamentos que não têm mais o que render, que parece que já foram expremidos e prensados, exauridos à sequidão total. Olhe para eles e veja com os olhos da fé um manancial, derramando vida. Invista neles, aposte neles, semeie neles.

Olhe para vidas desesperançadas e apresente a elas a esperança das esperanças. Uma vida que vale a pena é algo que transforma um vale seco em um rio. Vamos?

“Deus, tem tanta gente que ainda precisa de Ti, que não te ama e não te conhece na intimidade. Eu quero ser alguém que faz destas vidas secas um rio de Deus.”

Mário Fernandez

O QUE QUEREMOS...


As vezes, tudo o que mais queremos é tão simples, tão pouco, como a atenção de alguém que gostamos.
As vezes, as pessoas que gostamos não percebem, se matam em oferecer bens materiais, jóias, o carro do ano, o apartamento de luxo, e se esquecem do básico: amor e carinho!

Isso vale para pais que pagam a escola, mas não tem tempo para sentar com os filhos e ouvir por alguns instante, o que ele aprendeu.
Rir das suas trapalhadas, ajudar nas dificuldades.
Um pouco de atenção vale tanto!

Isso vale para a esposa dedicada.
Que se mata para deixar a casa brilhando, fazer o jantar que "engorda até os olhos", mas se fecha em reclamações da louça, do desgaste das mãos, do cansaço das costas.
Melhor seria se fizesse menos, e amasse um pouco mais...

Isso vale para os maridos tão trabalhadores.
Que não deixem que falte nada nos armários, pagam as contas em dia, e se gabam disso.
Mas se esquecem do abraço sincero, do beijo mais terno, da palavra que encanta, do olhar que admira.
Tudo com custo zero, dependendo apenas da atenção.
Atenção que se revela em dedicação, que nasce da admiração, sem a qual, o amor não resiste, aliás, nem existe.

È tempo de prestar atenção!
Diminuir a velocidade da sua vida.
Arrumar tempo para o que realmente importa.
Fazer menos dívidas com o consumismo, e ter créditos com aqueles que te amam.
Porque tudo passa, mas o carinho e a atenção deixam marcas pela eternidade, pois são frutos da verdade.

Paulo Roberto Gaefke

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PEQUENINAS COISAS DA VIDA...


A alegria é o antídoto para o medo. O medo surge se você não desfruta a vida. Se você desfruta a vida, o medo desaparece.
Assim, seja positivo e desfrute mais, ria mais, dance mais, cante mais. Torne-se mais e mais jovial e entusiasmado com pequenas coisas, mesmo com coisas muito pequenas. A vida consiste em pequenas coisas, mas, se você puder trazer a qualidade da alegria a pequenas coisas, o total será extraordinário .
Assim, não espere que algo grandioso aconteça. Coisas grandiosas acontecem - não é que não aconteçam - mas não espere que algo grandioso aconteça. Isso só acontece quando você começa a viver coisas pequenas, comuns, do dia-a-dia com uma mente nova, com um frescor novo, com uma vitalidade nova, com um entusiasmo novo. Aos poucos você acumula, e esse acúmulo um dia explode em puro deleite.
Mas você nunca sabe quando acontecerá. Você precisa apenas continuar a coletar conchinhas na praia. A totalidade se torna o grande acontecimento . Quando você apanha uma conchinha, ela é uma só. Quando todas as conchinhas estão juntas, de repente, elas são diamantes. Esse é o milagre da vida.
Há muitas pessoas no mundo que perdem porque estão sempre esperando por algo grandioso . Não pode acontecer. Algo grandioso acontece somente através de pequenas coisas : comendo, tomando o café da manhã, caminhando, tomando banho, conversando com um amigo, sentado sozinho, olhando para o céu, ou deitado em sua cama sem fazer nada. A vida é feita de pequenas coisas . Elas são a verdadeira matéria da vida.

OSHO

OS 10 MANDAMENTOS DE OSHO...


Em 1970 perguntaram a Osho pelos seus dez mandamentos.
Esta foi sua resposta:


Você pergunta pelos meus dez mandamentos. Isso é muito difícil, porque eu sou contra qualquer tipo de mandamento. Todavia, só pela brincadeira, eu estabeleço o que se segue:

1 - Não obedeça a ordens, exceto àquelas que venham de dentro.
2 - O único Deus é a própria vida.
3 - A verdade está dentro, não a procure em nenhum outro lugar.
4 - O amor é a oração.
5 - O vazio é a porta para a verdade, é o meio, o fim e a realização.
6 - A vida é aqui e agora.
7 - Viva completamente acordado.
8 - Não nade, flutue.
9 - Morra a cada momento para que você possa se renovar a cada momento.
10 - Pare de buscar. O que é, é: pare e veja.

Osho

EMOÇÕES...


terça-feira, 29 de junho de 2010

A LENDA DAS DUAS TÍLIAS...


Conta-se que no pórtico da cidade de Listra, na Velha Grécia, havia duas tílias plantadas.

Os ramos das imensas árvores se enroscavam uns aos outros, parecendo uma única copa dotada de dois troncos.

Um dia, um ilustre visitante passou por ali e quis saber sobre as árvores de galhos entrelaçados.

Viu, perto dali, uma mulher da região que recolhia água de um velho poço, e lhe perguntou sobre as árvores singulares.

A mulher, sentindo-se homenageada pela curiosidade do estrangeiro, deteve-se e começou a contar:

"Dizem senhor, que nos idos tempos da Licaônia, depois que os deuses a construíram, resolveram vir visitá-la para saber se as coisas aqui estavam correndo bem.

Dois desses deuses: o pai dos deuses, Júpiter e o seu auxiliar direto, mercúrio, se transformaram em pessoas humanas comuns.

Vistoriaram toda a região e, ao entardecer daquele dia, os dois deuses começaram a bater nas portas das casas, mas nenhum dos habitantes de listra lhes oferecia pousada.

Então eles foram se afastando. E nos confins da Licaônia chegaram a um casebre em ruínas. Era uma casa muito velha, muito tosca.

Bateram na porta e uma mulher idosa, muito idosa, veio atender. Era Balsis, uma pastora da região, esposa de um lavrador que ainda se encontrava no campo.

Ao ouvir os dois homens lhe pedir guarida, Balsis foi tocada em seu sentimento e abriu-lhes as portas, fê-los entrar e serviu-lhes água fresca, enquanto dialogavam.

Logo depois, seu esposo Fílemon chegou dos campos e se somou à alegria da esposa em poder hospedar aqueles homens que andaram pelas estradas durante todo o dia.

Não tinham muito para ofertar, mas Balsis pediu ao esposo que fosse até à horta e colhesse algumas verduras para preparar um caldo e oferecer aos hóspedes.

Balsis puxou, de junto da parede, a única mesa que tinha no casebre. Uma mesa velha, de tampo esburacado.

Recobriu-a com a única toalha que tinha, guardada para ocasiões muito especiais, enquanto Fílemon retirou do armário alguns frutos secos, que Balsis mesma preparava, e uma bilha de vinho.

Após, sentaram-se junto com os dois visitantes para o rico banquete da família pobre.

Começam a tomar o caldo, a se alimentar com os frutos secos e perceberam, os dois velhos, que quando Júpiter e mercúrio se serviam do vinho, quanto mais vinho retiravam da bilha, mais vinho aparecia nela.

Entreolharam-se e deram-se conta de que essa era uma prerrogativa dos deuses. Aquilo em que eles tocassem se multiplicava.

Júpiter percebeu e deu-se a conhecer. Apresentou mercúrio, que era considerado deus dos oradores e pediu aos velhos que não contassem a ninguém sobre suas estadas ali.

No dia imediato, antes de se despedirem, Júpiter abraçou os dois velhos e lhes fez uma proposta:

"Pela gentileza da hospedagem, pela boa vontade que nos apresentaram, eu gostaria de deixá-los à vontade para pedir o que quiserem e eu lhes garanto realizar." Era o deus dos deuses que estava oferecendo o que eles quisessem.

Fílemon olhou a esposa, e esta lhe retribuiu o olhar. Eram velhos, tinham vivido na pobreza desde a juventude, quando se casaram.

Aquela idade não lhes pedia mais nada. Fílemon disse a Júpiter que não necessitavam de coisa alguma.

Mas Balsis lembrou-se de um detalhe. Segurou o braço do marido, voltou-se para Júpiter e disse-lhe:

Senhor, já que nós podemos pedir-lhe alguma coisa, eu gostaria de rogar que não permitisse que um de nós chorasse a morte do outro. Gostaríamos de pedir-lhe que quando um de nós tombe nas mãos da morte, o outro possa acompanhar imediatamente, para que nenhum de nós tenha que chorar pelo outro.

Lágrimas escorreram pelas faces de Júpiter. O pai dos deuses emocionou-se e garantiu-lhe que o seu pedido seria atendido.

No dia em que Fílemon tombou, arrastado pelas mãos da morte, Balsis tombou sobre seu corpo.

E Júpiter, para homenagear o amor de ambos, plantou-os no pórtico da cidade de listra, na entrada da Licaônia, e os converteu em duas tílias, que estão floridas quase o ano inteiro.

Isso tudo para dizer que o amor é assim, é capaz de estar sempre florido, é capaz de doar-se perpetuamente."

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em palestra de Raul Teixeira, no Teatro da Federação Espírita do Paraná, em 14/12/2002.

domingo, 27 de junho de 2010

O ROUXINOL E A ROSA...


"Ela disse que dançaria comigo se eu lhe trouxesse rosas vermelhas", exclamou o jovem Estudante, "mas em todo o meu jardim não há nenhuma rosa vermelha."

Do seu ninho no alto da azinheira, o Rouxinol o ouviu, e olhou por entre as folhas, e ficou a pensar.

"Não há nenhuma rosa vermelha em todo o meu jardim!", exclamou ele, e seus lindos olhos encheram-se de lágrimas. "Ah, nossa felicidade depende de coisas tão pequenas! Já li tudo que escreveram os sábios, conheço todos os segredos da filosofia, e no entanto por falta de uma rosa vermelha minha vida infeliz."

"Finalmente, eis um que ama de verdade", disse o Rouxinol. "Noite após noite eu o tenho cantado, muito embora não o conhecesse: noite após noite tenho contado sua história para as estrelas, e eis que agora o vejo. Seus cabelos são escuros como a flor do jacinto, e seus lábios são vermelhos como a rosal de seu desejo; porém a paixão transformou-lhe o rosto em marfim pálido, e a cravou-lhe na fronte sua marca."

"Amanhã haverá um baile no palácio do príncipe", murmurou o jovem Estudante, "e minha amada estará entre os convidados. Se eu lhe trouxer uma rosa vermelha, ela há de dançar comigo até o dia raiar. Se lhe trouxer uma rosa vermelha, eu a terei nos meus braços, e ela deitará a cabeça no meu ombro, e sua mão ficará apertada na minha. Porém não há nenhuma rosa vermelha no meu jardim, e por isso ficarei sozinho, e ela passará por mim sem me olhar. Não me dará nenhuma atenção, e meu coração será destroçado."

"Sim, ele ama de verdade", disse o Rouxinol. "Aquilo que eu canto, ele sofre; o que para mim é júbilo, para ele é sofrimento. Sem dúvida, o Amor é uma coisa maravilhosa. É mais precioso do que as esmeraldas, mais caro do que as opalas finas. Nem pérolas nem romãs podem comprá-lo, nem é coisa que se encontre à venda no mercado. Não é possível comprá-lo de comerciante, nem pesá-lo numa balança em troca de ouro".

"Os músicos no balcão", disse o jovem Estudante, "tocarão seus instrumentos de corda, e meu amor dançará ao som da harpa e do violino. Dançará com pés tão leves que nem sequer hão de tocar no chão, e os cortesãos, com seus trajes coloridos, vão cercá-la. Porém comigo ela não dançará, porque não tenho nenhuma rosa vermelha para lhe dar." E jogou-se na grama, cobriu o rosto com as mãos e chorou.

"Por que chora ele?", indagou um pequeno Lagarto Verde, ao passar correndo com a cauda levantada. "Sim, por quê?", perguntou uma Borboleta, que esvoaçava em torno de um raio de sol.
"Sim, por quê?", sussurrou uma Margarida, virando-se para sua vizinha, com uma voz suave.
"Ele chora por uma rosa vermelha", disse o Rouxinol.
"Uma rosa vermelha?", exclamaram todos. "Mas que ridículo!" E o pequeno Lagarto, que era um tanto cínico, riu à grande.

Porém o Rouxinol compreendia o segredo da dor do Estudante, e calou-se no alto da azinheira, pensando no mistério do Amor.

De repente ele abriu as asas pardas e levantou vôo. Atravessou o arvoredo como uma sombra, e como uma sombra cruzou o jardim.

No centro do gramado havia uma linda Roseira, e quando a viu o Rouxinol foi até ela, pousando num ramo.

"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti".

Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são brancas", respondeu ela, "tão brancas quanto a espuma do mar, e mais brancas que a neve das montanhas. Porém procura minha irmã que cresce junto ao velho relógio de sol, e talvez ela possa te dar o que queres."

Assim, o Rouxinol voou até a Roseira que crescia junto ao velho relógio de sol.

"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti."

Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são amarelas", respondeu ela, "amarelas como os cabelos da sereia que está sentada num trono de âmbar, e mais amarelas que o narciso que floresce no prado quando o ceifeiro ainda não veio com sua foice. Porém procura minha irmã que cresce junto à janela do Estudante, e talvez ela possa te dar o que queres."

Assim, o Rouxinol voou até a Roseira que crescia junto à janela do Estudante.

"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti."

Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são vermelhas", respondeu ela, "vermelhas como os pés da pomba, e mais vermelhas que os grandes leques de coral que ficam a abanar na caverna no fundo do oceano. Porém o inverno congelou minhas veias, e o frio queimou meus brotos, e a tempestade quebrou meus galhos, e não darei nenhuma rosa este ano."

"Uma única rosa vermelha é tudo que quero", exclamou o Rouxinol, só uma rosa vermelha! Não há nenhuma maneira de consegui-la?"

"Existe uma maneira", respondeu a Roseira, "mas é tão terrível que não ouso te contar."

"Conta-me", disse o Rouxinol. "Não tenho medo."

"Se queres uma rosa vermelha", disse a Roseira, "tens de criá-la com tua música ao luar, e tingi-la com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim apertando o peito contra um espinho. A noite inteira tens de cantar para mim, até que o espinho perfure teu coração e teu sangue penetre em minhas veias, e se torne meu."

"A Morte é um preço alto a pagar por uma rosa vermelha", exclamou o Rouxinol, "e todos dão muito valor à Vida. É agradável, no bosque verdejante, ver o Sol em sua carruagem de ouro, e a Lua em sua carruagem de madrepérola. Doce é o perfume do pilriteiro, e as belas são as campânulas que se escondem no vale, e as urzes que florescem no morro. Porém o Amor é melhor que a Vida, e o que é o coração de um pássaro comparado com o coração de um homem?"

Assim, ele abriu as asas pardas e levantou vôo. Atravessou o jardim como uma sombra, e como uma sombra voou pelo arvoredo.

O jovem Estudante continuava deitado na grama, onde o Rouxinol o havia deixado, e as lágrimas ainda não haviam secado em seus belos olhos.

"Regozija-te", exclamou o Rouxinol, "regozija-te; terás tua rosa vermelha. Vou criá-la com minha música ao luar, e tingi-la com o sangue do meu coração. Tudo que te peço em troca é que ames de verdade, pois o Amor é mais sábio que a Filosofia, por mais sábia que ela seja, e mais poderoso que o Poder, por mais poderoso que ele seja. Suas asas são da cor do fogo, e tem a cor do fogo seu corpo. Seus lábios são doces como o mel, e seu hálito é como o incenso.

O Estudante levantou os olhos e ficou a escutá-lo, porém não compreendia o que lhe dizia o Rouxinol, pois só conhecia as coisas que estão escritas nos livros.

Mas o Carvalho compreendeu, e entristeceu-se, pois ele gostava muito do pequeno Rouxinol que havia construído um ninho em seus galhos.

"Canta uma última canção para mim", sussurrou ele; "vou sentir-me muito solitário depois que tu partires."

Assim, o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz era como água jorrando de uma jarra de prata.

Quando o Rouxinol terminou sua canção, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderno e um lápis.

"Forma ele tem", disse ele a si próprio, enquanto se afastava, caminhando pelo arvoredo, "isso não se pode negar; mas terá sentimentos? Temo que não. Na verdade, ele é como a maioria dos artistas; só estilo, nenhuma sinceridade. Não seria capaz de sacrificar-se pelos outros. Pensa só na música, e todos sabem que as artes são egoístas. Mesmo assim, devo admitir que há algumas notas belas em sua voz. Pena que nada signifiquem, nem façam nada de bom na prática." E foi para seu quarto, deitou-se em sua pequena enxerga e começou a pensar em seu amor; depois de algum tempo, adormeceu.

E quando a Lua brilhava nos céus, o Rouxinol voou até a Roseira e cravou o peito no espinho. A noite inteira ele cantou apertando o peito contra o espinho, e a Lua, fria e cristalina, inclinou-se para ouvir. A noite inteira ele cantou, e o espinho foi se cravando cada vez mais fundo em seu peito, e o sangue foi-lhe escapando das veias.

Cantou primeiro o nascimento do amor no coração de um rapaz e de uma moça. E no ramo mais alto da Roseira abriu-se uma rosa maravilhosa, pétala após pétala, à medida que canção seguia canção. Pálida era, de início, como a névoa que paira sobre o rio - pálida como os pés da manhã, e prateada como
as asas da alvorada. Como a sombra de uma rosa num espelho de prata, como a sombra de uma rosa numa poça d' água, tal era a rosa que floresceu no ramo mais alto da Roseira.

Porém a Roseira disse ao Rouxinol que se apertasse com mais força contra o espinho. Aperta-te mais, pequeno Rouxinol", exclamou a Roseira, "senão o dia chegará antes que esteja pronta a rosa."

Assim, o Rouxinol apertou-se com ainda mais força contra o espinho, e seu canto soou mais alto, pois ele cantava o nascimento da paixão na alma de um homem e uma mulher.

E um toque róseo delicado surgiu nas folhas da rosa, tal como o rubor nas faces do noivo quando ele beija os lábios da noiva. Porém o espinho ainda não havia penetrado até seu coração, e assim o coração da rosa permanecia branco, pois só o coração do sangue de um Rouxinol pode tingir de vermelho o coração de uma rosa.

E a Roseira insistia para que o Rouxinol se apertasse com mais força contra o espinho. "Aperta-te mais, pequeno Rouxinol", exclamou a Roseira, "senão o dia chegará antes que esteja pronta a rosa."

Assim, o Rouxinol apertou-se com ainda mais força contra o espinho, e uma feroz pontada de dor atravessou-lhe o corpo. Terrível, terrível era a dor, e mais e mais tremendo era seu canto, pois ele cantava o Amor que é levado à perfeição pela Morte, o Amor que não morre no túmulo.

E a rosa maravilhosa ficou rubra, como a rosa do céu ao alvorecer. Rubra era sua grinalda de pétalas, e rubro como um rubi era seu coração.

Porém a voz do Rouxinol ficava cada vez mais fraca, e suas pequenas asas começaram a se bater, e seus olhos se embaçaram. Mais e mais fraca era sua canção, e ele sentiu algo a lhe sufocar a garganta.

Então desprendeu-se dele uma derradeira explosão de música. A Lua alva a ouviu, e esqueceu-se do amanhecer, e permaneceu no céu. A rosa rubra a ouviu, e estremeceu de êxtase, e abriu suas pétalas para o ar frio da manhã. O Eco vou-a para sua caverna púrpura nas montanhas, e despertou de seus
sonhos os pastores adormecidos. A música flutuou por entre os juncos do rio, e eles leva ram sua mensagem até o mar.

"Olha, olha!", exclamou a Roseira, "a rosa está pronta." Porém o Rouxinol não deu resposta, pois jazia morto na grama alta, com o espinho cravado no coração.

E ao meio-dia o Estudante abriu a janela e olhou para fora.

"Ora, mas que sorte extraordinária!", exclamou. "Eis aqui uma rosa vermelha! Nunca vi uma rosa semelhante em toda minha vida. É tão bela que deve ter um nome comprido em latim." E, abaixando-se, colheu-a.

Em seguida, pôs o chapéu e correu até a casa do Professor com a rosa na mão.

A filha do Professor estava sentada à porta, enrolando seda azul num carretel, e seu cãozinho estava deitado a seus pés.

"Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha", disse o Estudante. "Eis aqui a rosa mais vermelha de todo o mundo. Tu a usarás junto ao teu coração, e quando dançarmos ela te dirá quanto te amo."

Porém a moça franziu a testa.

"Creio que não vai combinar com meu vestido", respondeu ela; "e, além disso, o sobrinho do Tesoureiro enviou-me jóias de verdade, e todo mundo sabe que as jóias custam muito mais do que as flores."

"Ora, mas és mesmo uma ingrata", disse o Estudante, zangado, e jogou a rosa na rua; a flor caiu na sarjeta, e uma carroça passou por cima dela.

"Ingrata!", exclamou a moça. "Tu é que és muito mal-educado; e quem és tu? Apenas um Estudante. Ora, creio que não tens sequer fivelas de prata em teus sapatos, como tem o sobrinho do Tesoureiro." E, levantando-se, entrou em casa.

"Que coisa mais tola é o Amor!", disse o Estudante enquanto se afastava. "É bem menos útil que a Lógica, pois nada prova, e fica o tempo todo a nos dizer coisas que não vão acontecer, e fazendo-nos acreditar em coisas que não são verdade. No final das contas, é algo muito pouco prático, e como em nossos tempos ser prático é tudo, vou retomar a Filosofia e estudar Metafísica."

Assim, voltou para seu quarto, pegou um livro grande e poeirento, e começou a ler.

Oscar Wilde