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sexta-feira, 4 de março de 2016

NINGUÉM ESTÁ MAIS VAZIO DO QUE AQUELE QUE ESTÁ CHEIO DE SI MESMO.

Não há ninguém que esteja tão vazio quanto aquele que está cheio de si mesmo, porque quando se está trancado sozinho em sua bolha, seu coração se torna egoísta e seus interesses narcisistas o impedem de enriquecer com todas as coisas que o mundo oferece.
É por isso que se diz que aquelas pessoas narcisistas, as que apenas estão interessadas na “primeira pessoa”, se tornam grosseiras, rudes e indecisas, apesar das suas crenças os levarem a pensar que sua frieza e sua “grande” identidade sejam um bom exemplo para o mundo.
Essas pessoas narcisistas não se dão conta de que com seu egoísmo se tornam incuráveis, enquanto ao mesmo tempo perdem a oportunidade de apreciar milhares de coisas e vão se tornando pessoas cada vez mais vazias e sem essência.

Os 8 vazios de quem é cheio de si mesmo
De forma triste, as pessoas narcisistas convivem com muitos vazios por causa de seu desinteresse e egocentrismo. Aqui estão alguns deles:

1- Vazios de empatia
Seus constantes “eu, meu, comigo” os fazem perder a capacidade de se colocar no lugar do outro. Não é que os outros não lhe interessem, mas isso se torna um hábito. Por isso, as pessoas narcisistas dia após dia perdem a capacidade de compreensão mútua, pois eles apenas conseguem entender seus sentimentos, atendendo aos seus interesses e as suas necessidades.

2- Vazios de autoestima saudável
Neste ponto, é bom lembrar que a própria compreensão e aceitação do seu interior se torna obrigatoriamente diminuída, pois os narcisistas não conseguem se descobrir para além do que sua imaginação cria e recria.
Portanto, por causa dessas projeções, cultivam uma falsa autoestima, não conseguem atingir o seu próprio autoconhecimento e impedem a si mesmos de se amarem sem reservas e em total plenitude.

3- Vazios de lealdade e honestidade
A honestidade e a lealdade expressam respeito por si mesmo e pelos outros. Elas tingem a vida de confiança, de sinceridade e de abertura, mostrando a essência mais profunda de cada um.

4- Vazios de amor
Existe alguma coisa mais triste do que não saber o poder do amor? Amar e ser amado requer consideração, respeito, responsabilidade e valores. Então, quem não é capaz de amar nada além de si mesmo, não poderá ir mais além num sentimento tão profundo como o amor, limitando drasticamente seu repertório emocional.

5- Vazios de tolerância e humildade
Os narcisistas não são capazes de tolerar e aceitar as opiniões, os sentimentos, os comportamentos ou os pensamentos dos outros, uma vez que eles são diferentes dos deles. Por isso eles se posicionam ao lado do vazio, impedindo uma atitude frente às relações e à diversidade, distorcendo seu diálogo interno e seu próprio crescimento emocional e social.

6- Vazios de responsabilidade
Quem é cheio de si é incapaz de responder e prestar contas por suas ações para o resto da sociedade. Como resultado, se produz um isolamento social ainda maior, que gera uma forte imaturidade que até lhe permite cultivar aquelas facetas que lhe interessam.

7- Vazios de vida e de liberdade
As pessoas narcisistas têm um vazio de vida e de liberdade, porque eles estão sujeitos às suas próprias crenças e seus próprios pensamentos que os limitam em suas atitudes e seus desejos, estando conscientes disso ou não. Uma pessoa livre detesta possuir ou ostentar o poder, porque no momento em que fizer isso, estará a se tornar um escravo do seu próprio cargo, renunciando assim à sua vida e aos seus desejos.

8- Vazios de identidade
Este é o mais difícil e mais duro de todos os vazios comentados. Uma pessoa que só pensa em si mesma e só sabe admirar e amar suas próprias qualidades está vazia de identidade, pois não será ninguém no mundo se não possuir um mundo de referência.
Quer dizer que quem acredita ser melhor que todo mundo nunca vai crescer na vida, se limitará a ouvir sua própria versão de sua existência e não alcançará nada mais do que a permanência na amargura de suas aspirações vazias e carentes de qualquer emoção.


http://amenteemaravilhosa.com.br/

POEMA DE SETE FACES...

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo, mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo, mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Edições Pindorama
Belo Horizonte, 1930
© Graña Drummond

quinta-feira, 3 de março de 2016

AMOR E TEMPO...

Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.
Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera!
São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito.
São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas.
Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho.
De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge.
A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas.
Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos.

Padre Antônio Vieira

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

...


QUEM NÃO AMA A SOLIDÃO, NÃO AMA A LIBERDADE...

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas. 
Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ações, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.
Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre. 
A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.
Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogêneos causa um efeito incômodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza. 
Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou embaixo encontram-se em ótima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

PÉ GLORIOSO E PÉ DOLOROSO...

Um pé mostra o que aprendemos a admirar: a beleza da sapatilha de cetim, a habilidade, a graça da bailarina. O outro grita o custo disto. Todo conhecimento existe a partir de algumas dores e muitos esforços. Pouca gente percebe que um ser que fala bem línguas, ou dança, ou toca instrumentos, ou cozinha bem, tem, atrás da beleza do que faz, um enorme currículo de horas dedicadas, baladas perdidas e dores. Toda arte tem renúncia.
Este é o famoso "goût de l’effort" (gosto do esforço) que os franceses tanto admiram. Para eles e para muitos outros, isto deve ser repassado, desde cedo, às crianças e aos alunos. Nós, brasileiros, admiramos muito a intuição e a inspiração. São boas. Louvo também a transpiração. Esta foto é um projeto de vida.


Leandro Karnal

PARA LER QUANDO ESTIVER PENSANDO EM DESISTIR...

Todo mundo já passou por um momento em que a ideia de desistir ficava martelando insistentemente na cabeça. Dúvidas fazem parte da história de praticamente qualquer pessoa, inclusive algumas das mais bem-sucedidas que conhecemos – e muitas delas têm um pouco a nos ensinar sobre isso.

1. “Se você não está disposto a arriscar, esteja disposto a uma vida comum.”
– Jim Rohn
2. “Todos os seus sonhos podem se tornar realidade se você tiver coragem para persegui-los.”
– Walt Disney
3. “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente. Quem sobrevive é o mais disposto à mudança.”
– Charles Darwin
4. “Um homem de sucesso é aquele que cria uma parede com os tijolos que jogaram nele.”
– David Brinkley
5. “Há dois tipos de pessoa que vão te dizer que você não pode fazer a diferença neste mundo: as que têm medo de tentar e as que têm medo de que você se dê bem.”
– Ray Goforth
6. “O ponto de partida de qualquer conquista é o desejo.”
– Napoleon Hill
7. “Todo progresso acontece fora da zona de conforto.”
– Michael John Bobak
8. “Daqui a vinte anos, você não terá arrependimento das coisas que fez, mas das que deixou de fazer. Por isso, veleje longe do seu porto seguro. Pegue os ventos. Explore. Sonhe. Descubra.”
– Mark Twain
9. “Nosso maior medo não deve ser o fracasso, mas ser bem-sucedidos em algo que não importa.”
– Francis Chan
10. “Muitas das falhas da vida ocorrem quando não percebemos o quão próximos estávamos do sucesso na hora em que desistimos.”
– Thomas Edison
11. “Coragem é a resistência ao medo, o domínio do medo – não a ausência do medo.”
– Mark Twain
12. “Apenas deixe para amanhã o que você está disposto a morrer tendo deixado de fazer.”
– Pablo Picasso
13. “Se você quer fazer uma mudança permanente, pare de se focar no tamanho de seus problemas e comece a focar no seu tamanho.”
– T. Harv Eker
14. “Se você não tiver seu próprio plano de vida, é provável que caia no plano de alguma outra pessoa. E adivinha o que eles planejaram para você? Não muito.”
– Jim Rohn
15. “A vida é uma viagem e se você se apaixona pela jornada, você estará apaixonado para sempre.”
– Peter Hagerty
16. “Muito do estresse que as pessoas sentem não vem de ter muito o que fazer. Ele vem de não terminar o que foi começado.”
– David Allen
17. “Se você procura sua realização nos outros, você nunca será realizado. Se sua felicidade depende de dinheiro, você nunca será feliz consigo mesmo. Se contente com o que você tem; fique feliz com a maneira como as coisas são. Quando você perceber que não está faltando nada, o mundo pertence a você.”
– Lao Tzu
18. “A arte de viver está menos em eliminar nossos problemas do que em crescer com eles.” – Bernard M. Baruch
19. “A felicidade não é uma estação em que você chega, mas uma maneira de viajar.”
– Margaret Lee Runbeck
20. “A verdadeira felicidade não é alcançada através da auto-gratificação, mas através da fidelidade a um propósito digno.”
– Helen Keller
21. “Todos nós recebemos relatórios de muitas maneiras diferentes, mas a verdadeira emoção do que você está fazendo está em fazê-lo. Não é o que você vai conseguir no final, é realmente em fazer, e amar o que você está fazendo.”
– Ralph Lauren
22. “Faça algo que ame e você nunca mais precisará trabalhar na vida.”
– Willie Hill
23. “A ansiedade é a vertigem da liberdade.”
– Soren Kierkegaard
24. “Faça o que você sempre fez e você terá sempre o mesmo resultado.”
– Sue Knight
25. “Nós evitamos as coisas das quais temos medo porque pensamos que haverão consequências desastrosas se as confrontarmos. Mas a verdadeira consequência desastrosa em nossas vidas vem de evitar coisas sobre as quais nós precisamos aprender ou descobrir.”
– Shakti Gawain
26. “Muito melhor é arriscar coisas grandiosas para ganhar vitórias gloriosas – mesmo que estampadas pelo fracasso – do que se alinhar com aqueles espíritos pobres que nem aproveitam muito nem sofrem muito, porque vivem em uma penumbra cinzenta que não conhece nem a vitória nem a derrota.”
– Theodore Roosevelt
27. “Eu não sei a chave para o sucesso, mas a chave para o fracasso é tentar agradar a todos.”
– Bill Cosby
28. “O primeiro passo em direção ao sucesso é dado quando você se recusa a ser um prisioneiro do ambiente em que estava inicialmente.”
– Mark Caine
29. “Sempre que você se encontrar ao lado da maioria, é tempo de fazer uma pausa e refletir.”
– Mark Twain
30. “Se você ouve uma voz dentro de você dizer ‘você não pode pintar’, então pinte sem dúvida, e essa voz será silenciada.”

– Vincent Van Gogh

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

BRASIL EM CARTAZ. (Música feita com o conteúdo dos cartazes das manifestações)

Saí do Facebook Pra mostrar como se faz E é tanta coisa Que não cabe num cartaz Brasil era um país muito engraçado Não tinha escola, só tinha estádio Ninguém podia protestar, não Porque a PM sentava a mão Brasil é o país do futebol Porque futebol não se aprende na escola Mas agora colocaram Mentos Na geração Coca-Cola E olha só Que coincidência Não tem polícia Não tem violência O transporte público É pior que a Tim Me chama de copa E investe em mim - Refrão - Vem pra rua Vem comigo Mas seu guarda Seja meu amigo A bomba sobe A gente abaixa Me joga um halls Odeio bala de borracha The jiripoca is going to pew pew Queremos formatar o Brasil É uma vergonha, é uma vergonha Passagem tá mais cara que a maconha

VIVENDO COM DEPRESSÃO (Legendado)

Neste vídeo, uma jovem descreve, de modo claro e poético, o que é a vida de alguém com depressão. Se estamos ao lado de alguém com depressão, temos que nos colocar em seu lugar, tentar compreender o que ele sente, pensa, deseja… Quais os seus medos… Caso sejamos nós os doentes, é preciso compreender o que se passa conosco e saber que não somos os únicos a passar por esse sofrimento. Procurar ajuda especializada, alguém que nos possa orientar, auxiliar e, talvez, medicar.

COMO SABOTAMOS A NOSSA VIDA SEM PERCEBER...

A vida não é como uma linha reta. Ela não é um conjunto de horários e de gráficos. Não há nada errado se você não terminou os seus estudos numa determinada idade, se você é casado ou não, se encontrou um emprego estável ou se começou a formar a sua própria família, etc. Você necessita entender que, se você não se casou com seus 25-30 anos, se não se tornou vice-presidente aos 33 ou se não encontrou a felicidade na idade X, ninguém pode julgá-lo ou condená-lo.
E, se porventura alguém o fizer, isso de nada importa. Você pode questionar o caminho traçado a qualquer tempo. Pode dar um tempo a si mesmo para parar e descobrir o que, de fato, o inspira. Você tem direito a esse tempo (muitos se esquecem disso).
Não raro começamos o planejamento das nossas vidas no colegial e assim seguimos os planos. Com base nesses planos vem o curso a ser estudado, o trabalho a executar…
Depois de um tempo, levantamos todas as manhãs e vamos ao trabalho, não por livre escolha diária, mas porque devemos confirmar a decisão que tomamos um dia.

Mas um dia acordamos em meio à mais profunda depressão, intuímos que nos prende e que não nos deixa viver plenamente, mas não saberemos do que se trata. Assim, destruímos nossa vida.
Destruímos nossa vida escolhendo a pessoa errada.
Por que será que é tão grande a nossa ânsia por relacionamentos? Por que somos tão obcecados pela a ideia de “estar” com alguém e não com a de “ser” alguém? Esse sentimento que nasce da necessidade de dormir com alguém que esteja ali para suprir a nossa necessidade de atenção e não os nossos verdadeiros sentimentos, não é o tipo de amor que vai nos inspirar a acordar às 6h da manhã e abraçar a pessoa que dorme ao lado.
É preciso encontrar um amor que nos transforme no melhor que somos. Não nos ceguemos no vazio do “não quero dormir sozinho”. Estar sozinho é bom. Passe algum tempo com você mesmo, coma sozinho, durma sozinho e, dentro de algum tempo, você encontrará coisas novas e interessantes sobre você, coisas de que nem suspeita. Você vai crescer como pessoa e encontrará o que o inspira, será de fato o dono dos seus sonhos e crenças.
Quando chegar o dia de encontrar aquela pessoa que faça cada uma das células do seu corpo dançar, você se sentirá confiante com ele ou com ela, porque tem confiança em si mesmo. É preciso saber esperar!

Destruímos nossa vida ao permitir que o passado tenha controle sobre nós.
Na vida flui… Essa é a sua principal característica! Nela, há decepções, frustrações, dias em que você se sente um nada… Esses sentimentos chegam fortes e de malas feitas. Parece que vieram para ficar por muito tempo, mesmo, mas não devemos permitir que eles nos controlem.
Se você permitir que cada situação desagradável se torne o prisma que define sua percepção das coisas, verá o mundo de forma negativa e distorcida. E, se você permitir isso, corre o risco de ficar parado num mesmo lugar por anos, por estar convencido, por exemplo, de que é estúpido; de deixar passar o amor, porque você sente que a sua ex lhe deixou por não ser bom o suficiente e agora você não acredita em mulheres (ou nos homens).
É como um círculo vicioso. Se não se permitir deixar o seu passado para trás, você contuará a ver o mundo através da janela suja do passado.
Destruímos nossa vida quando nos comparamos com os outros.
A quantidade de seguidores que você tem no Instagram nada diz do seu valor como pessoa. O número de zeros à direita em sua conta bancária não terá nenhum efeito real sobre a sua compaixão, inteligência ou felicidade. Alguém que tenha duas vezes mais propriedades do que você poderá não vai experimentar um tipo especial de alegria.
Sinceramente? O fato de aquele velho colega de faculdade ter postado fotos no Facebook naquele resort fantástico ou no hotel mais bacana da cidade não faz a menor diferença na sua vida. Todo mundo sabe disso, mas, ainda assim, muitas vezes se compara e se sente “por baixo”, nessas situações.

Estamos presos no falso mundo das redes sociais, ainda que provavelmente isso não nos leve à morte, mas nos destrua gradualmente ao criar em nós a necessidade de nos sentir “importantes” e pressionar os outros para que também sigam esse ideal.
Destruímos nossa vida ao nos privar das emoções.
Tememos que os outros saibam o quanto significam a nós. Muitas vezes, o interesse por alguém pode parecer até uma loucura. Sim, expressar as suas emoções por alguém faz com que você se torne um pouco mais ’vulnerável’, mas não há nada  errado com isso; pelo contrário: pode ser algo mágico e encantador desnudar a alma e mostrar-se honesta e integralmente.
A pessoa a quem você ama tem o direito de saber o quanto ela o inspira. Diga, por exemplo, à sua mãe que você a ama. Diga isso mesmo quando você estiver diante dos seus amigos ou nas redes sociais. Seja forte o bastante para não permitir que a sua alma se torne uma pedra.
Destruímos nossa vida quando passamos a suportá-la ao invés de desfrutá-la.  Quando nos conformamos com menos do que desejávamos inicialmente, destruímos as possibilidades que vivem dentro de nós e é como trair a nós mesmos e a nosso potencial.
Quem disse que o próximo Michelangelo não está sentado agora na frente da tela do computador, organizando documentos alheios porque precisa para pagar as contas ou porque trabalhar assim é mais fácil do que buscar seus sonhos?
A vida, o trabalho e o amor estão inevitavelmente ligados entre si. Estejamos prontos para ver, na diversidade e na imprevisibilidade, a felicidade que a vida nos dá.


O texto foi livremente adaptado pela Equipe da Revista Pazes.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

NÃO HÁ TEMPO PARA TUDO...

Mas é preciso escolher. 
Porque o tempo foge. 
Não há tempo para tudo. 
Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. 
É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.

Rubem Alves

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

PRECONCEITO...

Sou baiano,

Negro, 
Pobre
E Gay
Sou cigano
Feio,
Baixo e
Chinês
Nordestino ou 
Argentino
Mendigo ou
Indigente
Idoso ou
Menor Carente
Deficiente ou
Impotente
Crente ou
Ateu
Árabe ou 
Judeu
Umbandista ou
Adventista
Testemunha ou
Kardecista
Migrante ou
Imigrante
Presidiário ou
Proletário
Refugiado ou
Desabrigado
Bêbado ou
Drogado
Alcóolatra ou
Viciado
Desempregado ou
Condenado
Se, não na carne, no espírito
de solidariedade com aquele
que sofre, chora e morre
não pelo que faz ou fez,
mas pelo sentimento incontrolável
de quem não compreende...
Nem faz qualquer esforço para isso...
por vezes, literalmente,
para dimensionar a loucura
de julgar o outro
sem um dado objetivo
que justifique esta postura.
um leão por dia
e ser excluído pelo
grau de melanina
OU por quem você suspira
OU pela sua conta bancária
OU pela sua luta diária
OU de onde vai ou vem
OU de quem você crê no além...
ou – melhor! – definitivamente,
pois o meu maior defeito
é parecer diferente
aos olhos de quem esqueceu
qual é o sentido de ser gente...
uma segunda-feira reflexiva e solitária...


Sou muito mais que tudo isso...
É preciso sentir na pele,
Não é fácil matar 
Esqueça-me por um dia
Salvador, 06 de setembro de 2010, véspera da comemoração Independência do Brasil, 

Rodolfo Pamplona Filho

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Le vase brisé (O vaso quebrado)

Le vase où meurt cette verveine
D'un coup d'éventail fut fêlé ;
Le coup dut effleurer à peine :
Aucun bruit ne l'a révélé.


Mais la légère meurtrissure,
Mordant le cristal chaque jour,
D'une marche invisible et sûre
En a fait lentement le tour.



Son eau fraîche a fui goutte à goutte,
Le suc des fleurs s'est épuisé ;
Personne encore ne s'en doute ;
N'y touchez pas, il est brisé.



Souvent aussi la main qu'on aime,
Effleurant le coeur, le meurtrit ;
Puis le coeur se fend de lui-même,
La fleur de son amour périt ;



Toujours intact aux yeux du monde,
Il sent croître et pleurer tout bas
Sa blessure fine et profonde ;
Il est brisé, n'y touchez pas.



René-François SULLY PRUDHOMME (1839-1907)

ROBBIE WILLIAMS - FEEL

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

DOIS LADOS...

Conta uma popular lenda do Oriente que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoa vive neste lugar ?
– Que tipo de pessoa vivia no lugar de onde você vem ? – perguntou por sua vez o ancião.
– Oh, um grupo de egoístas e malvados – replicou o rapaz – estou satisfeito de haver saído de lá.
– A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui –replicou o velho.
No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoa vive por aqui?
O velho respondeu com a mesma pergunta: – Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem?
O rapaz respondeu: – Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las.
– O mesmo encontrará por aqui – respondeu o ancião.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
– Como é possível dar respostas tão diferente à mesma pergunta?
Ao que o velho respondeu :
– Cada um carrega no seu coração o  ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui, porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na nossa vida sobre a qual podemos manter controle absoluto.

O BARULHO DA CARROÇA...

Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me para dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.
Após algum tempo, ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:
– Além do canto dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
– Estou ouvindo um barulho de carroça.
– Isso mesmo – disse meu pai – e é uma carroça vazia!
Perguntei a ele:
– Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
– Ora – respondeu meu pai – é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.
Tornei-me adulto e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grosseria inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar ser o dono da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

– Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

É MUITO DIFÍCIL AMAR EM COMUM, ODIAR É UMA FACILIDADE...

Na minha experiência como professor, as salas de aulas são divididas em grupos incomunicáveis e mutuamente hostis, que se agrupam por renda, forma física, melanina e opção sexual. Não se falam, não se gostam riem quando um entra e debocham um dos outros.
Eis que um professor da nota baixa e se torna um inimigo de todos, imediatamente as panelas de pressão rompem o lacre e todos dão as mãos contra aquela besta do apocalipse que os prejudicou; um emenda a fala do outro, porque agora eles tem o que odiar em comum. E tendo alguém para odiar em comum nós somos todos irmãos.
É muito difícil amar em comum, nós tentamos, nos esforçamos, agora odiar é uma facilidade.

Leandro Karnal 

...

As pessoas gostam de dizer “não temos terremotos, não temos furações, não temos tufões”. E as pessoas mais cínicas dizem “já temos os políticos! Deus não quis aumentar o número de desgraças que o país teria, e se deu ao Japão tufões e terremotos, a nós deu o senado e a Câmara dos Deputados”.
Leandro Karnal 

DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR...

A sabedoria do mais influente legislador do Ocidente, Moisés, sintetizou uma concepção de mundo em Dez Mandamentos. Como bom educador, o ex-príncipe do Egito sabia que longos códigos são de difícil acesso. Curioso notar que constituições muito breves, como a norte-americana, passam dos dois séculos e constituições prolixas, como todas as brasileiras, caducam em prazos muito curtos.
Inspirados neste exemplo, elaboramos os Dez Mandamentos do Professor. Estes dez mandamentos são fruto de uma experiência particular e não se pretendem eternos ou válidos em qualquer ocasião. Gostaria apenas de fornecer a colegas, como você leitor, uma reflexão particular, que possa ser aprofundada, reinterpretada ou rejeitada de acordo com a sua experiência.
O que me levou a pensar nestes princípios é a mesma angústia que assola qualquer educador: como ser um bom profissional, ensinar, transformar meu aluno e fazer parte desta transformação? Como superar o tédio dos meus alunos, a indisciplina, a irrelevância de algumas coisas que faço e meu próprio cansaço? Como não considerar a sala um fardo e o relógio um inimigo? Como parar de achar que só vivo a partir do fim-de-semana? A partir destes questionamentos, você está permanentemente convidado a adensar ou criticar, fazer seus outros dez ou sintetizar a dois ou três, pois, quem acha que pode melhorar a aula que dá, já começou a viver educação. E quem não acha que pode? Bem, deixa para lá! Ensinar não é a única profissão do mundo…

-PRIMEIRO MANDAMENTO: CORTAR O PROGRAMA!
Quase todas as disciplinas foram perdendo aulas ao longo das décadas anteriores. Não obstante, os programas nem sempre acompanharam estes cortes. Pergunte-se: isto é realmente importante? Este conteúdo é essencial? Não seria melhor aprofundar mais tais tópicos e menos outros? Se a justificativa é a pressão do vestibular, ela não pode ocupar 11 anos de Ensino Médio e Fundamental. Se a justificativa é uma regra da escola ou um coordenador obsessivo, lembre-se: o Diário de Classe sempre foi o documento por excelência do estelionato. A coragem da grande tesoura é essencial. Dar tudo equivale a dar nada. Ensinar a pensar não implica esgotar o conhecimento humano.

-SEGUNDO MANDAMENTO: SEMPRE PARTIR DO ALUNO!
Chega de lamentar o aluno que não temos! Chega de lamentar que eles não leem, a partir de uma nebulosa memória do aluno perfeito que teríamos sido (nebulosa e duvidosa). Este é o meu aluno real. Se, para ele, Paulo Coelho é superior a Machado de Assis e baile Funk é superior a Mozart, eu preciso saber desta realidade para transformá-la. Se ele é analfabeto devo começar a alfabetizá-lo. Se ele está no Ensino Médio e ainda não domina soma de frações de denominadores diferentes devo estar atento: esta é minha realidade. A partir do zero eu posso sonhar com o cinco ou seis. A partir do imaginário da perfeição é difícil produzir algo. A Utopia, desde Platão e Thomas Morus, tem a finalidade de transformar o real, nunca de impossibilitá-lo.

-TERCEIRO MANDAMENTO: PERDER O FETICHE DO TEXTO!
Em todas as áreas, em especial nas humanas, os alunos são instigados quase que exclusivamente ao texto. Num mundo imerso na imagem e dominado por sons e cores, tornamos o texto central na sala de aula. Devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas. O texto é muito importante, nunca deve ser abandonado. Porém, se o objetivo é fazer pensar, o texto é apenas um instrumento deste objetivo maior. Há pessoas que pensam e nunca leram Camões e há quem saiba Os Lusíadas de cor e não pense… Lembre-se de que há outros instrumentos. A sedução das imagens deve ser uma alavanca a nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo pode servir ao único grande objetivo da escola: ajudar a ler o mundo, não apenas a ler letras.

-QUARTO MANDAMENTO: POSSIBILITAR O CAOS CRIATIVO.
Fomos educados a um ideal de ordem com carteiras emparelhadas e, mesmo no fundo do nosso inconsciente, este ideal persiste. Qual professor já não teve o pesadelo de perder o controle total de uma sala, especialmente na noite mal dormida que antecede o primeiro dia de aula? Devemos estar preparados para o caos criador e para o lúdico. Alunos andando pela sala, trocando fragmentos de textos ou imagens dados pelo professor, discussões, encenações, o professor recitando uma poesia ou mandando realizar um desenho: tudo pode ser canal deste lúdico que detona o caos criativo. Surpreenda seus alunos com uma encenação, com um silêncio, com um grito, com uma máscara. Uma sala pode estar em ordem e ninguém aprendendo e pode estar com muitas vozes e criando ambiente de aprendizado. Lembre-se o silêncio absoluto é mais importante para nós do que para os alunos. É difícil vencer a resistência dos colegas e da própria escola a isto. Lógico que o silêncio também deve ser um espaço de reflexão, mas é possível pensar que há valor num solo gentil de flauta, numa pausa ou num toque retumbante de 200 instrumentos.

-QUINTO MANDAMENTO: INTERDISCIPLINAR!
Assim mesmo, entendido o princípio como um verbo, como uma ação deliberada. É fundamental fazer trabalhos com todas as áreas. Elaborar temas transversais como o MEC pede e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da ideia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia) mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. O profissional do futuro é muito mais holístico do que nós temos sido até hoje.

-SEXTO MANDAMENTO: PROBLEMATIZAR O CONHECIMENTO.
Oferecer ao aluno o cerne da ciência e da arte: o problema. Não o problema artificial clássico na área de exatas, mas os problemas que geraram a inquietude que produziu este mesmo conhecimento A chama que vivou os cientistas e artistas é transmitida como um monumento inerte e petrificado. Mostrem as incoerências, as dúvidas, as questões estruturais de cada matéria. Mostrem textos opostos, visões distintas, críticas de um autor ao outro. Nunca fazer um trabalho como: “O Feudalismo” ou “O Relevo do Amapá”; mas problemas para serem resolvidos. Todo animal (e, por extensão, o aluno) é curioso. Porém, é difícil ser curioso com o que está pronto. Sejamos francos: se é tedioso ler um trabalho destes, qual terá sido o tédio em fazê-lo?

-SÉTIMO MANDAMENTO: VARIAR AVALIAÇÕES.
Provas escritas são válidas, como a vitamina A é válida para o corpo humano. Porém, avaliações variadas ampliam a chance de explorar outros tipos de inteligência na sala. As outras avaliações não devem ser vistas como um trabalhinho para dar nota e ajudar na prova, mas como um processo orgânico de diminuir um pouco a eterna subjetividade da avaliação.

-OITAVO MANDAMENTO: USAR O MUNDO NA SALA DE AULA!
O mundo está permeado pela televisão, pela Internet, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso. A escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Os alunos em geral não gostam do espaço da sala porque ele tem muito de artificial, de deslocado, de fora do seu interesse. Usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do meu aluno.

-NONO MANDAMENTO: ANALISAR-SE PESSOALMENTE!
A primeira pessoa que deve responder aos questionamentos da educação é o professor. Somos nós que devemos saber qual o motivo de dar tal coisa, qual a relevância, qual a utilidade de tal leitura. O professor é o primeiro que deve saber como tal ciência transformou a sua vida. Isto implica fazer toda espécie de questão, mesmo as incômodas. Se eu não fico lendo tal autor por prazer e nem o levo aos meus passeios como posso exigir que um jovem ou uma criança o façam? Qual a coerência do meu trabalho? Minha irritação com a turma indisciplinada é uma espécie de raiva por saber que eles estão certos? Minha formação permanente me indica novos caminhos? Estou repetindo fórmulas que deram certo quando eu era aluno há 20 ou mais anos? É necessário um exercício analítico-crítico muito denso para que eu enfrente o mais duro olhar do planeta: o do meu aluno.

-DÉCIMO MANDAMENTO: SER PACIENTE!
Hoje eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como dizia Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a estas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isto (típica frase de sala de aula…) . Sem estas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devamos oferecer menos ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece nem quer esta paciência este é o que necessita urgentemente dela. O doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.
Há alguns anos eu falava de alguns destes princípios e uma senhora redarguiu dizendo que ela fazia tudo isto e muito mais e, mesmo assim, os alunos estavam cada vez piores e com menos resultados. Olhei para esta professora e senti nela o reflexo de meus cansaços também. A única coisa que me ocorreu lembrar é uma alegoria, com a qual encerro este texto:
Na nossa cultura há um modelo de professor: Jesus. A maioria absoluta das pessoas no Brasil é cristã, mas a alegoria serve também para os que não são. Tomemos a história de Jesus independente da nossa orientação religiosa. Comparemos: Jesus teve 12 alunos escolhidos por ele! Eu tenho 30, 60, 100, escolhidos por um rigoroso processo de seleção: inscreveu, pagou, entrou. Jesus teve alunos em tempo integral por três anos: eu tenho por duas ou quatro aulas semanais, por um período mais curto. Os alunos de Jesus deixaram tudo para segui-lo, o meu não deixa quase nada e não quer acompanhar nem meu pensamento, quanto mais minhas propostas existenciais. Fiel aos novos ditames do MEC, Jesus deu um curso superior em três anos. Para quem acredita, Ele fazia milagres, coisa que nós certamente não fazemos naquele sentido. A aula, de Jesus, assim, era reforçada por work-shops. A autoestima e a confiança de Jesus era enorme: o cara simplesmente dizia que era o Filho de Deus, que ressuscitava mortos, andava sobre as águas, passava quarenta dias sem comer e não tinha medo de ninguém. Eu não tenho esta convicção. Melhor: as aulas eram ao ar livre, sem coordenação, sem direção, sem colegas e os pais dos alunos não apareciam para reclamar! Bem, após 3 anos de curso intenso com todos estes reforços, chegou a prova final. Na agonia do Horto os três melhores alunos dormiram, quando o Mestre estava chorando sangue. O tesoureiro da turma denunciou o professor à Delegacia de Educação por 30 moedas. O líder da classe, Pedro, negou que tivesse tido aula por três vezes diante da supervisora de ensino: nunca vi este cara antes… Outros nove fugiram sem dar notícia e não compareceram à prova final: o Calvário. O mais novo e bobinho, João, foi até lá, mas não fez nada para impedir que os guardas matassem o professor. Se considerarmos João, com boa vontade, o único aprovado, teremos uma média de êxito de 8.33%, baixa demais para os padrões das Delegacias de Ensino e alvo de demissão sumária por justa causa. O professor morreu e, para quem acredita, voltou para uma recuperação de férias. Reuniu os reprovados e disse: mais uma chance. Um dos alunos, Tomé, pediu para colocar o dedo no diploma do professor para ver se era de verdade. Primeira pergunta do líder da turma, Pedro: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?” Ou seja, o melhor aluno não aprendeu nada! Esta pergunta mostra o oposto da aula dada, pois ele achou que o curso tinha sido sobre política e, na verdade, tinha sido sobre Teologia… Objetivos não atingidos: 100% ! Novos milagres, mais 40 dias defeedback, apostilas, recuperação, reforço de férias. Final de curso pirotécnico: subiu ao céu entre nuvens e anjos assistentes-pedagógicos disseram que o mestre tinha ido para a sala dos professores eterna e não mais voltaria. O curso estava encerrado, todas as lições tinham sido dadas para aquela nata de 11 homens. O que eles fizeram? Foram se esconder numa casa, todos apavorados. O mestre mandou um módulo auto instrucional de reforço, o Espírito Santo, um anabolizante. Só então, com uma força externa, eles começaram a entender, e finalmente tiveram aquela famosa reação bovina: HUMMMM…
Bem, eu disse à professora que me questionava: se Jesus teve tantos insucessos apesar de condições tão boas, a senhora quer ser mais do que Ele? Hoje eu diria para qualquer profissional: faça o máximo, mas apenas o máximo, e deixem o resto por conta do resto. A frase parece autista, mas é muito importante. Nós temos um limite: a vontade do aluno, da instituição e da sociedade como um todo. Não transformamos nada sozinhos, mas transformamos. O primeiro passo é a vontade. O segundo começa daqui a pouco, naquela sala difícil, com aquela turma sentada no fundo e naqueles angustiantes dez minutos que você vai levar para conseguir fazer a chamada… Vamos lá?



Leandro Karnal

PERGUNTAS - MODERNIDADE LÍQUIDA E OS DESAFIOS DO JUDICIÁRIO...

MODERNIDADE LÍQUIDA E OS DESAFIOS DO JUDICIÁRIO...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA PARA UM NOVO TEMPO

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Toda vez que ousamos dizer o que sentimos nós aceitamos o risco de que o sagrado do sentimento seja banalizado. 
Vez em quando convém o silêncio, a convivência solitária que nos ajuda a desvendar o enigma que nos habita. Nem tudo o que sentimos é verdadeiro. O sentimento que nos parece tão convincente pode ser um impulso provocado pelas forças do instante. Somos vulneráveis às invasões de olhares, palavras, situações. E tudo isso passeia pelas nossas veias, viaja em nós. E por isso necessitamos da introspecção silenciosa. Só ela é capaz de desconstruir os equívocos que alimentamos, e expulsar o que não nos pertence.Não tenha pressa em publicar suas alegrias ou tristezas. Conviva com elas antes de colocá-las nas janelas da vida. Nem tudo a palavra sabe dizer. E ainda que saiba, nem tudo precisa ser dito.


Pe. Fábio de Melo

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O MEDO À LIBERDADE E A ALMA HUMANA...

O DESAFIO DA MUDANÇA...

FILOSOFIA DE VIDA...

CAPELA DOS OSSOS...

Há uma capela feita de ossos humanos em Évora (Portugal). Uma igreja para refletir sobre uma das maiores mensagens das religiões. Vamos morrer e esse mundo é apenas algo temporário. A ideia central é pensar no que é mais importante em nossa vida, e o mais importante não é o corpo.

Na entrada da capela está escrito: “Os nossos ossos esperam pelos vossos”. Diriam os mortos: “És o que fomos, serás o que somos”.

Conta a história que Chico Xavier descansava em sua humilde casa, e um homem ao ver que havia apenas uma cama e um pequeno banquinho, indagou a Chico: “Você é tão conhecido e aclamado por todos e na sua casa não há praticamente nada? Ao que Xavier prontamente respondeu: “Claro, meu amigo. “Eu estou aqui só de passagem.”

O poeta português Fernando Pessoa em um de seus poemas, sabiamente declara: “A morte é a curva da estrada, morrer é só não ser visto.”
A morte é rápida, não espera, é traiçoeira e nos ronda todos os dias até chegar o momento marcado.
Tudo passa, as coisas se vão em um instante. Todas as vaidades terminam em nada. Os cemitérios estão cheios de pessoas boas, más, velhas ou jovens. A morte é um lugar onde todos se igualam em um mesmo tamanho. E você? Onde passará a eternidade? Ou, se não acredita no eterno; onde estará depois de haver morrido?


Eduardo Araújo