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quinta-feira, 3 de junho de 2010

SEJA FORTE...


“Não se dobre às adversidades.
A tempestade, as dores, as decepções, as amarguras passam...
Às vezes você pensa que está num beco sem saída, que as coisas caminharão para o pior e que só lhe resta esperar abatimento, tristeza e doença...
Mas as situações e os acontecimentos mudam de um momento para outro...
A tristeza transforma-se em alegria, o abatimento vira ânimo, a doença desaparece, a turbulência converte-se em paz e a derrota em vitória...
Levante a bandeira da esperança. Examine o que fazer, eleve o pensamento a Deus e acredite que as transformações são possíveis, que as coisas mudam...
Não dê ouvidos ao derrotismo, à descrença, ao pessimismo.
Encha o peito de confiança nas suas qualidades e no poder divino...
Toda tempestade passa.
A tempestade passa depressa quando você vê nela um ensinamento".

Nunca se esqueça:
Deus está sempre ao seu lado.
Não há problema que Ele não resolva.
Confia Nele e Ele TUDO fará!

Lourival Lopes

OS TRÊS DESEJOS DE ALEXANDRE, O GRANDE...


1. Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
2. Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistado como prata, ouro, e pedras preciosas;
3. Que suas mãos fossem deixadas fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais a razões desses pedidos e ele explicou:

Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm poder de cura perante a morte;

Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;

Quero que minhas mãos fiquem ao vento para que vejam que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Alexandre, o Grande

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A GRAVIDEZ DA AMIZADE...


Toda amizade é uma história particular. É uma história de conquista.
Primeiro, descobre-se o outro. Todo mundo parece igual, mas não é.
E é justamente essa coisinha diferente em cada um que torna cada pessoa única. E de repente ali está a sementinha da amizade fecundada...
A gestação começa.

São pedacinhos de nós que vão ficando nas conversas e pedacinhos do coração do outro que vão caminhando pra dentro da gente.
Há os risos e os sorrisos, a partilha de coisas simples ou de coisas importantes. As descobertas, cheias de surpresas muitas vezes.

A voz calada que pensa, não diz nada... Advinha!...
Fazemos idéia imediata de uma pessoa ao primeiro contato.
Julgamos? Talvez.
E só os próximos dias, horas ou instantes vão nos dizer que julgamos certo.
Acontece de nos termos enganado em certos pontos e quantas vezes não bendizemos isso!
Claro que ninguém gosta de estar enganado.
Mas quando descobrimos um palhacinho por detrás de uma pessoa séria e reservada é maravilhoso saber que pudemos nos enganar.
Se todos os enganos fossem assim abençoados! ...
A sensibilidade do outro nos toca... Dá até vontade de chorar.

Não sabemos direito o porque de nos sentirmos próximos de alguém assim tão longe, tão diferente e tão igual.
Mas amizade, como o amor, não se questiona. Vive-se. Dela e pra ela.

É preciso dar tempo ao tempo para se saber cativar e ser cativado. Quando saímos às pressas, sempre temos o risco de deixar alguma coisa esquecida.
Mas se tomamos o tempo de olhar bem, refletir, conversar, conversar e conversar... e rir e brincar e ficar em silêncio! ...
Se deixamos que essa flor nasça cuidadosa e docemente... aos poucos ela vai vendo a luz do dia. Maravilhando-se. Contemplando o outro com novos olhos, ou nova maneira de olhar. Tudo vira encanto!

Que o outro ria de mim ou para mim, mas que ria! Gargalhe, faça festa! . . .
Que eu seja nem que seja por um pouco responsável por esse rosto iluminado, por essa vontade de viver e de ver o que virá depois.
Bendita seja essa gestação amiga! Sem prazo, sem tempo, sem hora marcada!
Bendita seja essa amizade, prova de que Deus se faz conhecer através das pessoas que alcançam nosso coração...

Letícia Thompson

EU CREIO...


"Ao que lhe disse Jesus: Se podes! - tudo é possível ao que crê" Marcos 9:23.

"Se você for até onde pode ver, será capaz de ver o suficiente para ir mais longe"
(John Wooden)
"É melhor fazer alguma coisa imperfeitamente do que não fazer nada perfeitamente"
(Robert Schüller)
"Todas as coisas difíceis têm sua origem nas que são fáceis e as grandes nas que são pequenas"
(Lao-Tzu)

As citações acima nos conduzem a tomar atitudes.
A pior coisa que podemos fazer, na busca de nossas conquistas ou de nossos sonhos de vida, é não fazer nada.
Se o caminho é duro e cheio de obstáculos, creiamos que a nossa bênção chegará.
Se, às vezes, tropeçamos ou vemos frustradas as nossas tentativas, devemos insistir... perseverar... começar tudo de novo.
A nossa fé não deve esmorecer jamais. Nós vamos conseguir e o Senhor vai nos ajudar.
Quando Cristo é Senhor de nossas vidas e o nosso coração O hospeda com alegria, temos motivos de sobra para manter viva a nossa esperança.

"Tudo é possível ao que crê".
A dúvida não faz parte de nosso manual de vida.
A covardia também não. Estaremos sempre dispostos a seguir em frente, a lutar, a levantar após uma queda, a não voltar atrás antes de conseguir a vitória almejada.
Se somos cristãos e Cristo é o nosso Senhor, jamais estaremos sozinhos na busca das vitórias.
Ele sempre estará ao nosso lado, sempre estará nos estimulando, sempre estará intercedendo por nós.
Ele prometeu que seríamos mais que vencedores e as Suas promessas jamais falham.
Você crê que sua bênção está lhe esperando?
Crê que o Senhor tem o melhor para sua vida?
Vai desistir antes de alcançá-la?
Tenho certeza que não!

terça-feira, 1 de junho de 2010

DEUS EM MEU QUINTAL...


"Alguns guardam o domingo indo à igreja
eu o guardo ficando em casa
tendo um sabiá como cantor
e um pomar por santuário.
Alguns guardam o domingo em vestes brancas
mas eu só uso minhas asas
e ao invés de repicar dos sinos da igreja
nosso pássaro canta na palmeira.
É Deus que está pregando, pregador admirável
e o Seu sermão é sempre curto
Assim, ao invés de chegar ao céu, só no final
Eu o encontro o tempo todo no quintal."


Emily Dickinson, autora deste poema, reveste de beleza singela uma idéia muito profunda e importante, a respeito de nossa adoração a Deus.

Haverá lugar específico para adorar a Deus? Haverá tempo certo, posição mais adequada, formas, vestimentas?
Estudemos a orientação primordial de Jesus, que foi bastante claro em dizer que "Deus é Espírito, e deve ser adorado em Espírito e Verdade."
O Espírito não tem forma, não é corpo, não é matéria.
Assim, o que o Mestre deseja dizer com adorá-Lo em Espírito, é que tal adoração deve ser interior, e que não precisa das formas exteriores.
A adoração deverá ser sempre de Espírito para Espírito, de nossa alma para o Criador, independente de onde estivermos, independente das formas exteriores utilizadas.
Há de se considerar as crenças humanas arraigadas, que trouxeram para as formas externas muitos hábitos, muitos rituais envolvendo o contato com Deus.
Porém, a alma madura, esclarecida, conhecedora da verdade, da mesma verdade da qual Cristo fala nesta passagem, precisa ir mudando seus costumes gradativamente.
A adoração a Deus em Espírito, abre-nos mil possibilidades inigualáveis.
Independente se estamos nesta ou naquela crença religiosa, se neste ou naquele local, se usando destas ou daquelas palavras, podemos nos comunicar com Ele.
Quando o pensamento está elevado, quando se reveste do bem, da caridade, da poesia, ele está em contato com o Criador.
Quando admiramos a natureza num fundo de quintal, e percebemos a grandeza da Criação, nos sentindo parte de algo grandioso e maravilhoso, estamos adorando o Criador.
Quando praticamos as leis de Deus, inscritas em nossa consciência, colocamo-nos em comunhão com Ele.
Basta a sintonia mental positiva. Basta a alegria de viver. Basta a gratidão pela existência, pelos seres amados, e lá estamos nós sintonizados com o Pai.
Adorar a Deus em Espírito e Verdade, é conhecer a felicidade no caminhar, é despertar para a verdadeira vida todos os dias.
Pense nisso.


Você sabia que Allan Kardec, na terceira parte de "O livro dos espíritos", trata sobre a lei de adoração?
Na questão 654 ele pergunta: "Deus dá preferência aos que O adoram desse ou daquele modo?"


Ao que os Espíritos lhe respondem: "Deus prefere os que O adoram verdadeiramente com o coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal(...)"

Redação do Momento Espírita com base no item 654, de O livro dos espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb, e versos da poetisa americana Emily Dickinson,, do livro Complete poems, ed. BackBay Books.

PARA SALVAR O AMOR...


Para salvar o amor, não basta o querer, o amor quando está afundando, não pede uma bóia qualquer. O amor pede um grande barco, um coração largo.
O amor pede humildade, e antes de mais nada, muita serenidade.
O orgulho, a mágoa, o ressentimento, são facas afiadas, que matam qualquer sentimento.

O amor pede calmaria, mesmo diante de notícia ruim, mesmo diante de fatos lamentáveis, o amor, e só ele, pede calma.
E a reflexão pode salvar o amor, porque o amor é mais que pensamento, amor não é isolamento,
é união, compaixão, declaração, perdão.

Por isso, antes de começar o dia, antes que a noite termine, declare o seu amor de diversas formas.
Diga eu te amo, mas faça um gesto de amor.
Vale flores, doces, presentinhos, um recado mal anotado num bilhetinho.

Gestos grandes ou pequenos, uma tatuagem no corpo, ou melhor ainda, uma tatuagem na alma,
onde nem o tempo, nem a morte, podem apagar.
O amor pede atenção, que começa no seu pensamento, e sempre termina, no seu coração.

Paulo Roberto Gaefke

segunda-feira, 31 de maio de 2010

RECOMEÇAR...


Não importa onde você parou …
Em que momento da vida você cansou…
O que importa é que sempre é possível e necessário “Recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
É renovar as esperanças na vida e o mais importante…
Acreditar em você de novo…
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.
Chorou muito?
Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para “chegar” perto de você.
Recomeçar…
Hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você que chegar?
Ir alto…
Sonhe alto…
Queira o melhor do melhor…
Pensando assim trazemos pra nós aquilo que desejamos…
Se pensarmos pequeno coisas pequenas teremos ….
Já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar em nossa vida.
“Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.”

Carlos Drummond de Andrade

OBSERVAS...


Se tudo te angustia, examina a própria vida, a fruta que amadureceu, caiu ao chão, apodreceu, e ainda assim será aproveitada como alimento, em tudo, nada se perdeu.
Ainda gera sementes para novas árvores, adubo para a terra, vida que se revela.

Se nada te consola, examina a dor alheia, observa...
Tamanha dificuldade, e o menino sem pernas, caminha, a menina sem braços ainda pinta, o senhor sem a visão, guia outro irmão.

Se a esperança fugiu, se a dor te consome, lembre-se de Jesus, que foi acusado, condenado sem nada dever.
Foi açoitado, com o corpo dilacerado, carregou seu caixão, um madeiro pesado, sem nenhuma compaixão.
Pregado como se fosse restos de carne, ainda olhou para os lados, anunciou a boa nova para os ladrões, e num último gesto sublime, não amaldiçoou, simplesmente perdoou.

E se ainda assim, acreditar que a sua dor é muito maior, eu te compreendo, e te deixo um lenço.
Não, não é para chorar!
É para acenar para dor, dar adeus a lamentação, pois na sua casa, na sua vida, chegou a Plenitude, a libertação.

Pois Deus, em poucos minutos, tudo pode mudar, é só querer e acreditar, é só levantar e dar o primeiro passo.

A vida continua logo ali, naquela curva suave, onde encontramos a Rua esperança, esquina com a Rua Perseverança, paralela com a Avenida da felicidade.
É tempo de crescer e ser feliz.
Vem!

Paulo Roberto Gaefke

ANTES DE COBRAR ALGUMA COISA...


Depois de um dia de caminhada pela mata, mestre e discípulo retornavam ao casebre, seguindo por longa estrada.
Ao passarem próximo a uma moita, ouviram um gemido.
Verificaram e descobriram um homem caído.
Estava pálido e com grande mancha de sangue, próxima ao coração.
Tinha sido ferido e já estava próximo da inconsciência.
Com muita dificuldade, mestre e discípulo o carregaram para o casebre rústico, onde viviam.
Lá trataram do ferimento.

Uma semana depois, já restabelecido, o homem contou que havia sido assaltado e que ao reagir fora ferido por uma faca.
Disse também que conhecia seu agressor, e que não descansaria enquanto não se vingasse.
Disposto a partir, o homem disse ao sábio:
- Senhor, muito lhe agradeço por ter salvado a minha vida.
Tenho que partir e levo comigo a gratidão por sua bondade.
Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer com que ele sinta a mesma dor que senti.

O mestre olhou fixo para o homem e disse:
- Vá e faça o que deseja.
Entretanto, devo informá-lo de que você me deve 3.000 moedas de ouro, como pagamento pelo tratamento que fiz.

O homem ficou assustado e disse:
- Senhor, é muito dinheiro.
Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar esse valor.

Com serenidade, tornou a falar o sábio:
- Se você não pode pagar pelo bem que recebeu, com que direito quer cobrar o mal que lhe fizeram?
Antes de cobrar alguma coisa, procure saber quanto você deve.

Não faça cobrança pelas coisas ruins que aconteçam em sua vida, pois a vida pode lhe cobrar por tudo de bom que lhe ofereceu.

domingo, 30 de maio de 2010

ALFABETO EMOCIONAL...


O Dr. Juan Hitzig é especialista em medicina do idoso e prevenção gerontológia, uma de suas atividades é ser professor da Universidade de Biogerontologia de Maimonide (Argentina). Ele estudou as características de alguns longevos saudáveis e concluiu que, além das características biológicas, o denominador comum entre todos eles está em suas condutas e atitudes.

Para entendermos melhor: Cada pensamento gera uma emoção e cada emoção mobiliza um circuito hormonal que terá impacto nas trilhões de células que formam nosso organismo.
As conduta
s “S”: serenidade, silêncio, sabedoria, sabor, sexo, sono, sorriso, promovem secreção de serotonina, enquanto que as condutas “R”: ressentimento, raiva, rancor, repressão, resistência, facilitam a secreção de Cortisol, um hormônio corrosivo para as células, que acelera o envelhecimento.
As condutas “S” geram ATITUDES “A”: ânimo, amor, apreço, amizade, aproximação, entretanto, as condutas “R” geram ATITUDES “D”: depressão, desânimo, desespero, desolação.

Aprendendo este alfabeto emocional, lograremos viver mais tempo e melhor, porque o sangue “ruim” (muito cortisol e pouca serotonina) deteriora a saúde fisica e mental e acelera o envelhecimento. O bom humor e a realização de atitudes que nos faz bem, é a chave para a longevidade saudável.

Então tenhamos uma excelente vida, repleta de Serotonina!!!

FRASES E VERSOS...


"A Melhor definição do Amor não vale um beijo."
"Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir."
"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar."

"As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos.
Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo... Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados... Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."

"A Gratidão de quem recebe um benefício é sempre menor que o prazer daquele que o faz."


Machado de Assis

LUA ADVERSA...


Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

"A arte de amar e a mesma de ser poeta."

Cecília Meireles

sábado, 29 de maio de 2010

AS SEM-RAZÕES DO AMOR...


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

•ღ•‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗‗•ღ•

"Amor é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida.
Amor começa tarde."

"Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo."


Carlos Drummond de Andrade

VERDADE...


A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar.
Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O SEU VALOR...


"Não dá para ver o caminho com os olhos cheios de lágrimas.
nem para enxergar o futuro, preso no passado."

A depressão, a angústia, o medo e a incerteza, são fugas de nós mesmos, do nosso desamor.
Quem se ama, se redescobre todos os dias.
Está sempre buscando, sempre encontrando, não carrega mágoas permanentes, não se deixa levar pela emoção do agora, prefere a serenidade do tempo, que tudo responde, tudo resolve.

Não fuja de você, não se furte!
Ao olhar no espelho descubra-se!
Há uma imensidão de oportunidades no dia, há pelo menos 10 bilhões de pessoas no mundo, 10 bilhões de oportunidades, de encontros, de união, esperança, recomeço e possibilidades.

O que você vai fazer a mais por você neste dia?

Pergunte-se, questione-se e realize.
Ame-se profundamente, tenha orgulho de você, não espere ninguém dizer o quanto você vale, a sua etiqueta de preço alto, deve estar estampada no alto da sua cabeça, para que todos saibam; que você merece respeito, pois se respeita, e está aqui, pronto para ser feliz, e se é a própria vida quem diz, quem vai duvidar?
É tempo de se abraçar, se respeitar, se aceitar e se amar.

Paulo Roberto Gaefke

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A JANELA DOS OUTROS...


Gosto dos livros de ficção do psiquiatra Irvin Yalom (Quando Nietzsche Chorou, A Cura de Schopenhauer) e por isso acabei comprando também seu Os Desafios da Terapia, em que ele discute alguns relacionamentos padrões entre terapeuta e paciente, dando exemplos reais. Eu devo ter sido psicanalista em outra encarnação, tanto o assunto me fascina.

Ainda no início do livro, ele conta a história de uma paciente que tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem. Durante o trajeto, o pai, que estava na direção, comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego a seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney. E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais palavra.

Muitos anos depois, esta mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, desta vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que a esta altura já havia falecido.

Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente.

A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso. Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto que a outra perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias. Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade. Cada um gruda o nariz na sua janela, na sua própria paisagem.

Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho. Me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contrapartida, me tira a certeza de tudo. Dependendo de onde se esteja posicionado, a razão pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar. Só possuindo uma visão de 360 graus para nos declararmos sábios. E a sabedoria recomenda que falemos menos, que batamos menos o martelo e que sejamos menos enfáticos, pois todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise. É o triunfo da dúvida.

Martha Medeiros

VENDE-SE TUDO...


No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o
que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.
O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.
Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns
tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de
som, tudo o que compõe uma casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos
sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava para subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se am meus móveis e minhas bugigangas.
Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais
sem alma.
No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o
zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.. Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.
Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que se torna cada vez mais difícil me afastar de pessoas que
são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida... Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.
Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.
Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi
vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.

..só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir.

Martha Medeiros

segunda-feira, 24 de maio de 2010

DOS DIAS QUE DEIXAMOS CORRER...


Quase sempre falamos da alegria da vida, como se a tristeza não existisse, como se a dor fosse sempre passageira, e por vezes, assumimos até a mentira, como se fosse a realidade verdadeira.

Não somos preparados para a dura realidade, desde o ventre somos preservados, e até o mais abandonado, encontra sempre um que diz:
oh! coitado.

E assim seguimos a vida, acreditando no que desejamos acreditar...
Quando crianças, a fada dos dentes, o "homem do saco" e Noel com seus presentes.
Vamos crescendo cercados de ilusão, deixamos brotar o amor ou ódio, tudo dependendo da ocasião.
Ás vezes sem nenhum motivo, vivemos quase que sem razão.

Eis que a Vida, sábia professora, nem sempre tão alegre e nem tão sutil, vem com uma dura lição,
que nos faz perder o chão, é o amor que nos magoa, a morte que nos leva alguém, a doença que nos incapacita, a fé que não move nem areia, que dirá montanhas...

Então sofremos, não cremos.
Choramos, não nos consolamos.
Lamentamos, não nos aceitamos.
Ficamos cegos, blindados em nossas crenças.

Até que um dia, trocamos a dor pelo amor, o medo pela sede de aprender, a descrença pela fé racional, então, já não esperamos mais, nos tornamos senhores do nosso destino, deixamos de ser vítimas, largamos o menino, crescemos e nos tornamos realizadores.

Os vencedores se formam assim, na certeza de que nenhuma dor é maior que a nossa capacidade de lutar.
Que tudo pode ser transformado, que nenhum sonho é impossível, até que seja tentado e testado muitas vezes.

E é assim,que vencemos até a morte, perpetuando nossa lembrança, que é muito forte, na eternidade do tempo, que no fundo, no fundo, é uma eterna criança, perdida no mundo.
Acredite em você!
Não se abata, nem se deixe desanimar.
Ainda há nas mãos, dedos e força, capazes de transformar, desde que você ouça, o conselho que o próprio tempo vem lhe dar:

- Nunca deixe de lutar!

Paulo Roberto Gaefke

PROCURANDO A MELHOR CURA...


A má interpretação da Nova Era pode gerar confusões perigosas.
Uma delas se refere à saúde: acredita-se que a mente é capaz de tudo, que as coisas só acontecem conosco porque permitimos.
Não é nem nunca será assim.
Uma coisa é o poder da prece – capaz de operar milagres.
Outra coisa é deixar-se dominar por um sentimento de onipotência que pode ser fatal.
Uma amiga próxima foi submetida a uma cirurgia de emergência.
Soubemos depois que tivera apendicite, e que fora internada em estado gravíssimo.

Quando já se recuperava, o médico foi conversar com ela:

- A apendicite dá muitos sinais; dores, febre alta, etc. Por que não veio antes?

- Vejo a doença como uma resposta do corpo a um enfraquecimento da mente – respondeu ela.

– Tentei lutar por mim mesma.

E, por causa disto, quase morreu. Muito cuidado, gente.

Paulo Coelho

O QUE É VELHICE?


Ana Cintra conta que seu filho pequeno – com a curiosidade de quem ouviu uma nova palavra, mas ainda não entendeu seu significado – perguntou-lhe:

“Mamãe, o que é velhice?”

Na fração de um segundo antes da resposta, Ana fez uma verdadeira viagem ao passado. Lembrou-se dos momentos de luta, das dificuldades, das decepções. Sentiu todo peso da idade e da responsabilidade em seus ombros.

Tornou a olhar para o filho que, sorrindo, aguardava uma resposta.

“Olhe para meu rosto, filho”, disse ela. “Isso é a velhice”.
E imaginou o garoto vendo as rugas, e a tristeza em seus olhos.
Qual não foi sua surpresa quando, depois de alguns instantes, o menino responde:
Mamãe! Como a velhice é bonita!”

Ana Gama Cintra – Perdizes/SP