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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ONDE DEUS COLOCOU A FELICIDADE...

"Não lastimes as dificuldades que nos ensinam a viver. Ninguém aprende sem lições. Quem suporta os próprios reveses com serenidade e coragem, entesoura resistência. Recorda: obstáculos e provações são medidas para a avaliação de nossa fé em Deus e em nós mesmos." (Emmanuel)

Uma das coisas que mais o homem busca é a felicidade. E o que mais se ouve as criaturas afirmarem é que são infelizes.
Esse é infeliz porque não tem dinheiro. Outro, porque lhe falta saúde, outro ainda, porque o amor partiu. Ou nem chegou.
Um reclama da solidão. Outro, da família numerosa que o atormenta com mil problemas.
Um terceiro aponta o excesso de trabalho. Aqueloutro, reclama da falta dele.
Alguém ama a chuva, o vento e o frio. Outro lamenta a estação invernosa que não lhe permite o gozo da praia, dos gelados e do calor do sol.
Em todo esse panorama, o homem continua em busca da felicidade. Afinal, onde será que Deus ocultou a felicidade?
Soberanamente sábio, Deus não colocou a felicidade no gozo dos prazeres carnais. Isso porque uma criatura não precisa de outra criatura para atingir a sua plenitude.
Assim, quem vivesse só pelos roteiros da terra, não poderia encontrar a felicidade.
Amoroso e bom, o Pai também não colocou a felicidade na beleza do corpo. Porque ela é efêmera. Os anos passam, as estações se sucedem e a beleza física toma outra feição.
A pele aveludada, sem rugas, sem manchas, não resiste ao tempo. E os conceitos de beleza se modificam no suceder das gerações. O que ontem era exaltado, hoje não merece aplausos.
Também não a colocou na conquista dos louros humanos, porque tudo isso é igualmente transitório.
Os troféus hoje conquistados, amanhã passarão a outras mãos, mostrando a instabilidade dos julgamentos e dos conceitos humanos.
Igualmente, Deus não colocou a felicidade na saúde do corpo, que hoje se apresenta e amanhã se ausenta.
Enfim, Deus, perfeito em todas as suas qualidades, não colocou a felicidade em nada que dependesse de outra pessoa, de alguma coisa externa, de um tempo ou de um lugar.
Estabeleceu, sim, que a felicidade depende exclusivamente de cada criatura. Brota da sua intimidade. Depende de seu interior.
Como ensinou o extraordinário Mestre Galileu: "o reino dos céus está dentro de vós."
Por isso, se faz viável a felicidade na terra. Goza-a o ser que não coloca condicionantes externas para a sua conquista.
É feliz porque ama alguém, mesmo que esse alguém não o ame. É feliz porque pode auxiliar a outrem, mesmo que não seja reconhecido.
É feliz porque tem consciência de sua condição de filho de Deus, imortal, herdeiro do universo.
Não se atém a picuinhas, porque tem os olhos fixos nas estrelas, nos planetas que brilham no infinito.
Se tem família, é feliz porque tem pessoas para amar, guardar, amparar.
Se não a tem, ama a quem se apresente carente e desamparado.
Se tem saúde, utiliza os seus dias para construir o bem. Se a doença se apresenta, agradece a oportunidade do aprendizado.
Nada de fora o perturba. Se as pessoas não o entendem, prossegue na sua lida, consciente de que cada qual tem direito a suas próprias ideias.
Se tem um teto, é feliz por poder abrigar a outro irmão, receber amigos. Se não o tem, vive com a dignidade de quem está consciente de que nada, em verdade, nos pertence.
Enfim, o homem feliz é aquele que sabe que a terra é somente um lugar de passagem.
Que sabe que veio de lugares distantes para cá e que, cessado o tempo, retornará a outras paragens, lares de conforto e escolas de luz.
Moradas do Pai, nesse infinito universo de Deus.
***
A verdadeira felicidade reside na conquista dos tesouros imperecíveis da alma.


Equipe de Redação do Momento Espírita com base em palestra proferida por Sandra Della Polla, na FEP, em 9.5.2004, intitulada Em busca da felicidade

terça-feira, 22 de setembro de 2015

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O CONTRÁRIO DO AMOR...

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.


Martha Medeiros MEDEIROS, M. Trem-bala. L&PM Editores. 1999.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

DECEPÇÃO E EXPECTATIVA...


A decepção vem da expectativa da gente
Quem cria expectativa é você
Então ninguém te decepciona
Apenas você mesmo
Criar expectativa é esperar além de uma realidade
Seja de algo ou de alguém
Então conheça primeiro
Não espere que seja como imagina
Quem diz ter sido decepcionado
Errou no verbo e se fez de vítima
Eu mudaria o verbo no dicionário
Incluiria a partícula SE
Decepcionar-SE
Afinal, você não é o que esperam de você
É apenas o que tem para oferecer
Se alguém esperava mais de você
Isso é de responsabilidade de quem esperou
Decepção vem de si mesmo e não dos outros
Falsa historinha é aquela:

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

Nada disso
Somos responsáveis por nossos atos
Pelo que os outros pensam, jamais
Pois o que pensam
Pode não ser o que fizemos
Pode não ser que o somos
E pode não ser o que pensamos
Para não se decepcionar
Pare de culpar os outros por não serem como achou que fossem
Deixe de esperar das coisas o que elas não são
Largue de criar expectativas idealizadoras
Viva cada momento conhecendo, sem esperar
Pois a única coisa que podemos mudar
No agora e quando quisermos
Somos nós mesmos
E as únicas coisas que teremos e viveremos
Estão diretamente ligadas ao que fizermos por merecer
A fé move montanhas
A expectativa passa a vida tentando empurrá-las

Victor Chaves
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