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sexta-feira, 28 de março de 2014

VIDA QUE EU RESPEITO...

Eu me aceito como sou, e faço de cada oportunidade,
um trampolim para minha melhoria interior,
em busca da tal felicidade.
E isso se reflete no meu sorriso e na qualidade de vida.
Vida que respeito, quando me alimento direito,
quando deixo de lado um vício,
quando não me intrometo na vida dos outros,
quando não prometo aquilo que sei que não vou poder cumprir,
quando amparo quem realmente precisa,
dentro das minhas possibilidades...

Vida que eu respeito e admiro,
quando vejo o sol nascendo, ou indo embora no final da tarde.
quando vejo a lua se aproximando e iluminando a noite,
quando ouço passarinhos cantando sem compromisso,
ou a cigarra na tarde quente avisando que o dia corre,
mesmo na tranquilidade da serra, da cidade pequena ou grande.

Vida que eu te desejo,
vida que eu ensejo.

Vida que não pode escorrer entre os dedos,
seja em busca de emprego ou dinheiro.
Vida que pede que você a respeite, guarde-a como se fosse de ouro.
Eis o dia, eis a vida, este é o seu maior tesouro.

Viva o dia!
Viva você!


Paulo Roberto Gaefke

terça-feira, 18 de março de 2014

NÃO ESPERE...

Não espere dos outros além do que lhe foi prometido.
E por via das dúvidas, não coloque todas as suas fichas em promessas 
de quem quer que seja.
Muita gente se decepciona demais com o que "imaginou",
e outros tantos, esperando pelo que não será cumprido.
Se é para acreditar em alguém, acredite em você primeiro.
E ainda assim, vigie-se para não ficar apenas nas promessas.

Quantas coisas você já se prometeu e não cumpriu?
Imagine promessas dos outros?

Isso também não nos dá o direito de julgar ninguém.
Afinal de contas, tantas coisas acontecem no nosso dia a dia.
E nem sempre podemos cumprir o que "desejamos" e prometemos.
Trabalhe com menos "futuro" e mais "presente".

O que é que nós temos agora?
Um tempo para criar uma situação.
Matricular-se em uma escola,
candidatar-se a um novo emprego,
começar um relacionamento novo, ou o mesmo de novo,
ir por um novo caminho,
seguir uma nova direção.

Fazer as pazes com a vida, respeitar-se!
Este momento é tudo o que temos, tudo o que possuímos.
Por isso, não perca tempo com reclamações, ou lamentações.
Faça algo de bom por você.
É assim que transformamos o nosso tempo em alegrias.
Vivendo melhor a cada dia.


Paulo Roberto Gaefke

segunda-feira, 17 de março de 2014

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO CRESCER?

ON ou OFF - de que lado você está?

DESVIE-SE!

Desvie-se!
Daquela ideia de vingança, 
por mais que você acredite que seja um direito seu.
O ódio é uma faca de duas pontas, uma está sempre voltada para nós mesmos.

Desvie-se
De pessoas que insistem em te julgar.
Para saber o que você passa tem que viver o que você vive,
e isso, só você para sentir.

Desvie-se!
De pessoas bajuladoras, que vivem puxando o saco.
Quase sempre tem algum interesse e na hora que você precisar,
elas são as primeiras a te abandonar.

Desvie-se!
Dos amores e pessoas problemáticas.
Amores enrolados, situações mal resolvidas...
Fuja, respeite o seu espaço e o seu fígado.
Quer chorar? Vai assistir um filme dramático.
Pelo menos quando acabar você sabe que era apenas um filme...

Desvie-se!
Dos que te desviam, ou querem te desviar do bom caminho.
Do caminho que você acredita ser o mais justo.
Pessoas assim, querem apenas te arrastar para o buraco em que vivem.

Desvie-se!
Das facilidades da reclamação.
Antes, concentre-se em encontrar uma solução.
Pense, reaja, lute, insista, levante-se, limpe o rosto,
seja a força que deseja ver nos outros.

Desvie-se!
Da dor, seja ela qual for,
com a certeza de que tudo passa.
Até nós, que somos eternos, passaremos.
Então, desvie-se das pedras e abrace as flores.
A vida pede mais do que sonhos.
Pede atitudes.

Paulo Roberto Gaefke

sexta-feira, 14 de março de 2014

ENTREGUE-SE!

Entregue-se!
Ao dia que se apresenta com muitas cores e convida:
-Vem viver a plenitude da vida!

Entregue-se!
Ao abraço apertado de quem lhe quer bem,
e se o abraço não vem, ofereça o seu com sinceridade.

Entregue-se!
Ao ar que insiste em entrar em seus pulmões,
desafiando-o a abandonar a preguiça e caminhar.

Entregue-se!
Ao desejo que enche o seu corpo de hormônios,
e que pedem o aconchego com alguém, 
que seja do bem!

Entregue-se!
Ao amor que mesmo todo enrolado, ou amadurecido,
se faz novo pelo gesto que tudo renova,
pelo coração aquecido que tudo aprova.

Entregue-se!
Ao amor de Deus, que tudo comporta,
que recebe os meus e os seus erros como experiência.
E que cheio da infinita paciência,
perdoa e te oferece a oportunidade do "novo".
O recomeçar que agora é página em branco,
para você escrever a sua história.

Entregue-se á oportunidade de servir.
De seguir adiante, de dar um passo ao porvir.
O Futuro é essa tarde que lhe sorri,
e lhe pede, que você, ao amor, não renegue,
pelo contrário, entregue-se!


Paulo Roberto Gaefke

sexta-feira, 7 de março de 2014

ACEITAR AS PESSOAS...

Aceitar as pessoas como elas realmente são, não é fácil.
Afinal de contas, tem dias que não suportamos nem a nós mesmos.
Imagine encarar os outros com os "defeitos" que nós imaginamos?
Por isso, gratidão é uma forma de desapegar-se dos conceitos,
e principalmente do "pré-conceito" que leva ao erro.

No fim das contas, vamos descobrir que tudo começa com a boa vontade,
passa pelo desejo de compartilhar e sem nenhum favor,
descobrimos que tudo que é bom, é uma forma generosa de amor.

Por isso, ao reconhecer algo de bom em alguém, diga!
Ao ver os erros e defeitinhos, não parta para a briga.
Releve, espere, confie.
Todo mundo aprende um dia, pelo amor ou pela dor.
Que não seja a sua língua, instrumento de terror,
mas o seu gesto de ternura, um abraço acalentador.


Paulo Roberto Gaefke

quinta-feira, 6 de março de 2014

PENSE NO CONTRÁRIO...

Pense na alegria de ver um desejo realizado,
quando a dor da derrota te empurrar para o desânimo.
Pense na doçura de um beijo apaixonado e por muito tempo esperado,
quando a desilusão de um relacionamento recém terminado doer demais.
Pense num abraço de pai ou de mãe, daqueles bem apertados,
quando a solidão te chamar pelo nome cheia de intimidade.
Pense no melhor emprego com um belo salário,
quando sem emprego o desespero bater na sua porta.
Pense na comemoração por ter passado em uma prova,
quando seu nome não constar naquela lista de resultados.
Pense no seu prato favorito, quente e convidativo,
quando a fome apertar no meio do nada.

Pensar no contrário da situação no exato momento em que passamos pelo reverso,
nos empurra para uma "revolta interior" que pode transformar qualquer situação 
negativa, em força positiva.
É assim que descobrimos vencedores onde ninguém esperava nada.
É assim que recordes são quebrados.
É assim que a palavra impossível vai perdendo o sentido.

Por isso, não se acomode diante do não,
nem se acostume com a dor e a desilusão.
Pense no contrário e aja com forças renovadas.
Levante da cama e caminhe, ainda que seja em cadeiras de rodas,
ou muletas antigas que mal suportam o seu peso.
Ainda assim, algo dentro de você vai te empurrar para a vitória.
E se acreditar que a sua cruz é muito pesada,
pense em Jesus e em todas aquelas chibatadas.
Assim vai perceber que sua cruz é tão leve, 
que não há motivos para não vencer.
A vida sempre te espera de braços abertos.

Paulo Roberto Gaefke

VIRTUDES E CERTEZAS...

A melhor oração?
Aquela que abrimos o coração e rasgamos a alma
diante da nossa incapacidade de compreender,
ou resolver uma situação que nos aflige.

O melhor momento?
Aquele em que vivemos intensamente o instante presente.
Quando descobrimos que o passado não tem mais força,
e que o futuro começa aqui, com o seu jeito de viver o agora.

O melhor amigo?
Aquele que nem sempre diz sim, 
nem sempre está próximo, mas está sempre presente.
O que oferece a cumplicidade do silêncio,
que mais ouve do que fala. 
O que não passa...

A melhor filosofia de vida?
Aquela que não agride a nossa inteligência.
Que não impõem nada além do amor.
Que ensina a perdoar e seguir amando.
Consola, ampara e ensina,
em meio ao turbilhão do mundo e de tanto desmando.

A maior alegria?
Descobrir dentro de você essa estranha certeza,
que é como uma chama, as vezes pequenina,
que insiste em dizer que você importa,
que merece e precisa ser feliz.
A certeza de que tudo passa, 
menos essa deliciosa sensação de que ainda há muito por fazer.

A maior virtude?
A possibilidade de recomeçar sempre.
Por isso, onde estiver, não se perca de você.
Você pode sair de onde estiver, e crescer.
E isso ninguém pode tomar de você.
Agora é o seu tempo.
Tempo de vencer.

Paulo Roberto Gaefke

NOS TRILHOS DO TEMPO...

Outro dia, uma amiga se queixou ao telefone: “Tenho 27 anos e descobri que, até agora, tenho me alimentado de migalhas”. Falei qualquer coisa banal & consoladora, como “a vida é assim mesmo, paciência” – e desliguei. Só não desliguei a cabeça: a frase ficou dias dando voltas dentro dela, Até que, não lembro bem como, de algum lugar de dentro de mim veio a resposta que não cheguei a dar à minha amiga: “Mas será que isso que você chama de migalhas não será, afinal, o próprio pão?”
Fiquei todo enredado num pensamento mais ou menos assim: aos 15anos, você espera um bolo coberto de chocolate, recheado de frutas; aos 25, você até dispensa o recheio de frutas, mas ainda espera a cobertura de chocolate; aos 35 – ah, um pão doce mesmo serve; aos 45, pode ser pão comum, desses de água e sal, desde que fresquinho; aos 55, o mesmo pão, só que não tem muito importância se dor amanhecido – e assim por diante, até chegarmos às migalhas. Que, se você tiver uma boa cabeça, pode receber como se fosse uma daquelas tortas Martha Rocha (uma fatia para quem lembrar das tortas Martha Rocha, famosas nos anos 50).

A passagem do tempo traz humildade e reduz o apetite? Não afirmo nada, só pergunto, porque não tenho certeza. Talvez por ter andado lendo os dois romances que Doris Lessing esecreveu sob o pseudônimo de Jane Somers (O Diário de Uma Boa Vizinha e Se os Velhos Pudessem), andei pensando também na velhice. Neste jornal não se pode escrever palavrão – mas você já percebeu que muitos jovem dizem velha como se dissessem, desculpem, mulher de vida airada ou ladra? Como se a velhice fosse um crime e uma vergonha.

Os dias passaram, eu pensei em Rita Lee. Não ouvi o disco novo de Rita, não tenho nada a dizer sobre ele. Mas Rita ficou furiosa com uma crítica escrita sobre o disco e, ao que parece, especialmente com uma maldadezinha sobre sua suposta “menopausa criativa”. Fica assim: quem acusa coloca-se na posição de “jovem-por-dentro-de tudo”. Acaba virando um joguinho meio lamentável de bom & mau, mocinho & bandido,inocente & culpado. Por trás de tudo, a suprema ofensa: ser chamado de VELHO.
Então morre Rita Hayworth (maravilhosa Rita, sem a qual Marilyn Monroe talvez não tivesse existido), há anos esquecida. Em todos os arquivos rebuscam-se fotos e trechos de filmes da flamejante Gilda – e fotos da mulher esplêndida de 20, 25 anos, são colocadas lado a lado de fotos da velha horrenda de 60, doente e decadente. O subtexto é: o jovem é belo, o velho é feio. O jovem está perto da vida, o velho está perto da morte. E a velhice, como a morte, é feia e suja. Será?

Enquanto isso, a vida de cada um corre sobre os trilhos do tempo, separadamente mas em direção a um destino igual para todos, e no mesmo ritmo implacável daquele poema de Manuel Bandeira:café-com-pão, café-com-pão. Penso nos velhinhos como Mário Quintana, cheios do poder discreto de conseguir contemplar de longe a juvenil palhaçada nossa de cada dia, à espera desses resplandescentes bolos cobertos de chocolate, recheados de frutas. E que só existem no sonho. No real, são as migalhas.

Rita, a Hayworth, gira no ar sua luva negra e canta: “Put the blame on mame, boy” – porque ela não preparou você para a velhice, eu acrescento. Seguro devagar o novo livro de Adélia Prado, O Pelicano, leio e releio um poema chamado Objeto de Amor (que não posso transcrever aqui: este jornal não publica palavrão), e acho que eu compreendo quando ela diz: “Quanto a mim dou graças/ pelo que agora sei/ e, mais que perdoo, eu amo”. Foi Adélia, mulher do povo, quem afirnou também num poema mais antigo: “Quarenta anos: não quero a faca nem o queijo/ quero a fome”. Eu também: bem-vindas as migalhas que, se Deus quiser, virão.

Caio Fernando Abreu - OESP - Caderno 2 - 1987
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