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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O HOMEM QUE VÊ A ALMA...


Ninguém nota aquele homem simples caminhando por entre as vielas, entre o lixo acumulado nas calçadas, ele observa; moradores de rua que fazem de cada canto o seu refúgio, ele enxerga além das feridas nos pés, da sujidade dos corpos, ele vê a alma de cada um e percebe dores morais que marcam, ferem, um que a bebida tomou conta e destruiu sua família, outro que abusou da própria filha, alienados pelas drogas, abandonados pelo mundo...
Em outro quarteirão, o luxo contrasta com o lixo, ele observa jogadores, mulheres que vendem seus corpos, a mesa de bebidas, chefes de família semi-embriagados, e por dentro de cada um, ele que observa almas, vê o vazio, a ausência das próprias personalidades, gente procurando preencher o que não sabem, apenas sentem.
O homem segue seu caminho, é um viajante do tempo.
Logo se depara com um templo enorme, entra e vê pessoas cantando, entoam hinos, alguém fala do amor, a multidão silencia.
Muitos se comovem, e o homem que vê almas percebe aqui e ali desejos de mudança, pessoas sendo preenchidas pelo que é invisível, e essas pessoas se alegram...
Outras no entanto, observam as outras pessoas, reparam nas roupas, invejam quem está acompanhado, maldizem a própria sorte, pensam nas tarefas que às aguardam em casa, não vêem a hora de irem embora...
O homem que vê almas sai e depara-se com um menino na rua, pobre, maltrapilho, pés no chão, parado com os olhos fixos no céu.
O andarilho do tempo pergunta o que ele procura, o menino segura graciosamente na sua mão, sem medo, e mostra uma estrela distante, dizendo que é Jesus.
Curioso, o andarilho pergunta como ele sabe, o menino diz que a mãe enquanto vivia o ensinou.
Disse que toda vez que ele sentisse fome, deveria olhar para a estrela e pedir para Jesus o pão, toda vez que ele sentisse frio ou sede, pedisse para Jesus uma coberta e água.
O andarilho quis saber então, se aquilo funcionava, e o menino afirmou que mesmo na rua, nada lhe faltava.
Nesse momento, o andarilho emocionado, olhou para a estrela e acreditou, tudo o que Ele havia passado havia valido a pena, Ele era a estrela, a própria luz, que ouvia daquele menino sem nada, que a razão de tudo era ele, o próprio Jesus.
Que o seu Natal tenha uma razão de ser, que você se preencha com o encanto, não dos presentes, nem da mesa farta, mas da doce presença do espírito santo.
que é uma estrela iluminada pelos que acreditam, que tudo vale a pena, porque a alma não é pequena.
Feliz Natal
Paulo Roberto Gaefke

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