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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O PLANTAR...


Eu tive condições de plantar o amor, plantei paixões imediatas, veio a dor.
Eu podia dividir o pedaço de pão, mas reclamei de barriga cheia, e veio a fome.
Eu podia ser solidário, mas me entreguei a lamentação, restou apenas a solidão.
Eu podia seguir a luz, mas fiquei no canto escuro, quando pediram a minha opinião, fiquei em cima do muro.
Eu podia seguir qualquer caminho, preferi o das facilidades, no começo era sempre florido, mas pouco depois, só infelicidade.
Eu podia sorrir e seguir adiante, mas o choro era mais forte, reclamei da vida, perdi oportunidades e briguei com a morte.
Eu tive tantos amigos, mas abusei deles, exigia tanto que se cansavam, eu me isolei.
O orgulho me cegou, eu me achava superior, na minha ignorância, eu não precisa de Deus.
No meio do caminho de espinhos, sentei e chorei.
Era preciso encontrar uma solução, cansei.
Cansei de sofrer, de sentir-me tão só!
Foi ai que tirei as sandálias, e vi os desvalidos.
Eu era tão orgulhoso, que não ouvia seus gemidos, e pude perceber que podia fazer alguma coisa, eu podia, com as minhas deficiências, servir, dividi meu pão, amparei os caídos, limpei feridas, animei os que desistiam.
E assim, em meio aos problemas dos outros, eu me vi forte, e resistindo a insegurança, me vi menino, homem com alma de criança.
Surpreso, me encontrei fazendo a caridade, lavei a minha alma, encontrei a serenidade.
Entre os mais carentes, descobri que era rico, entre os mais necessitados, descobri o que tinha e não valorizava.
Hoje sigo confiante, tudo faz sentido, até nos problemas vejo uma luz, e posso afirmar com toda certeza:
- a fraternidade é o caminho seguro, que nos aproxima de Jesus.

Paulo Roberto Gaefke

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