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segunda-feira, 21 de março de 2011

MUDANÇAS INTERNAS...

Antes eu esperava ter amor por mim mesmo para depois dá-lo a outrem. Tenho observado que, dando amor que não tenho, surpreendo-me plena de amor que me falta.
Antes eu esperava possuir bens (materiais, culturais, espirituais) para reparti-los com meu próximo. Tenho percebido que o pouco que reparto com generosidade, me enquadra dentro de uma lei universal: - é dando que se recebe -.
Antes eu esperava estar centrada e bem resolvida para exercer o otimismo e distribuir palavras de esperança e de fé. Tenho verificado que quando eu o faço, ainda que dentro de mim haja tempestade, o meu inconsciente registra e grava estas impressões e, sem que eu perceba, minha harmonia interior é reconquistada.
Antes eu esperava passar o furor da mágoa e do ressentimento para perdoar. Tenho notado que repetindo diversas vezes a palavra perdão, ainda que sem muita convicção, os sentimentos de mágoa e ressentimento perdem completamente a força e minha alma sente-se abrandada.
Antes, se adoentada, eu esperava a saúde voltar para botar as mãos na massa. Tenho constatado que, mesmo dentro de algumas limitações físicas, há algo que se pode fazer. Por pouco que seja, devolve-me a abençoada sensação de ser útil, tocando o instrumento que me compete na grande sinfonia da vida e isto é metade da cura, senão toda ela.
Antes eu esperava estar feliz para distribuir sorrisos. Descobri que sorrindo, mesmo que com uma lágrima pendurada no canto do olho, nos sorrisos que recebo de volta, eu encontro forças para enxugar as minhas próprias lágrimas.
Antes eu esperava receber um benefício para agradecer. Hoje eu agradeço por antecipação, agradeço tudo: as pessoas, a família, o trabalho, as circunstâncias. Agradeço, até mesmo, os revezes e os ventos contrários e descubro que só assim, eu mantenho abertos os canais por onde fluem o infinito: o amor de Deus e as bênçãos universais.


Fátima Irene Pinto

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