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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

VOCAÇÃO PARA A FELICIDADE...

"Não serei o poeta de um mundo caduco."

Não escreverei versos chorosos, cantando tristezas infinitas, amores impossíveis, saudades dolorosas, paixões trágicas e não correspondidas.


Tenho a vocação para a felicidade.
Ser feliz não me traz sentimento de culpa.
Não preciso da tristeza para justificar a inutilidade da vida.
Não preciso morrer e ir ao céu para encontrar a felicidade.
Quero-a e tenho-a neste espaço terreno do aqui e do agora.


A felicidade, tal e qual o amor, está dentro de mim e transborda em ternuras, em melodias,
em carinhos, em alegrias, em cantos e encantos.


Sou feliz e não preciso me justificar.
Sorrio sem ver passarinho verde.
Não tenho medo de ser feliz.


Faço minha estrela brilhar.
Sem receio dos encontros, desencontros, encantos e desencantos que o amor me diz.


Contrariedades? Eu as tenho.
E quem não as tem na vida secular?
Escassez de dinheiro? Nem é bom falar.
Amores não correspondidos? Separações?
Rejeições? Saudades incuráveis?
Carinhos reprimidos, ternuras guardadas, sem a contra parte do outro?
Eu tenho aos montões.
Sou a rainha das perdas, necessárias ao meu crescimento.


Contudo quem não soube a sombra não sabe a luz.
E num livro de matemática existencial juntei todos esses problemas insolúveis, com as respostas nas últimas páginas.
Mas pra que me debruçar sobre eles, procurando a solução se a própria vida me conduz a resposta final?


Sem medo de ser feliz vou por aqui e por ali por onde os caminhos, as trilhas,
Os atalhos me levarem, traçando meu rumo.
Às vezes com alguma tristeza, mas quem disse que felicidade é o contrário de tristeza?
Tristeza é só uma momentânea falta de alegria!


É, amigo, amanhã é sempre um novo dia,
E quando a infelicidade passar por aqui, minhas malas estarão prontas para eu ir por ali.


Carlos Drummond de Andrade

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