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sábado, 30 de janeiro de 2010

A MORTE DEVAGAR...


Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as contradições próprias.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e como é que é compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos Não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas también muitos, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos é um turbilhão de emoções Indomáveis, justamente as que resgatam nos olhos brilho, sorrisos e soluços, coração aos Tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e profissional ajuda Requer. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e Na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva Incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é uma morte mais Traiçoeiras e ingrata, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos Evitar um final repentino, que ao menos evitemos uma morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um maior bem Esforço do que simplesmente respirar.

Martha Medeiros

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