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terça-feira, 9 de setembro de 2014

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Você tampa a panela, dobra o avental, deixa a lágrima secar no arame do varal. 
Fecha a agenda, adia o problema, atrasa a encomenda, guarda insucessos no fundo da gaveta. 
A ideia é tirar a tarja preta e pôr o dedo onde se tem medo. Você vai perceber que a gente é que faz o monstro crescer.
Em seguida superar o obstáculo, pois pode-se estar perdendo um espetáculo acontecendo do outro lado. Atravessar o escuro até conseguir tatear o muro, que é o limite da claridade. Se tiver capacidade para conquistá-la, tente retê-la o mais que puder. Há que ter habilidade, sem esquecer que a luz é mulher.
Do inferno assim desmascarado, é hora de voltar. Não importa se é caminho complicado, se a curva é reta, ou se a reta entorta.
Você buscou seu brilho, voltou completa; jogou a tranca fora, abriu a porta.'


Flora Figueiredo

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